O Bebê de Rosemary
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Esse é um filme que faz parte da seleção dos “Clássicos do COBRA”.
Se em “O Iluminado” o hotel é um coadjuvante de forte influência, aqui o fantasmagórico edifício Dakota toma ares de ator principal. Um casalzinho simpático, formado pelos atores John Cassavetes e a fofa Mia Farrow mudam-se para lá. Originalmente com 65 apartamentos e alguns de até 20 quartos, o prédio é enorme.
São recebidos por uma jovem bonita, com um colarzinho delicado e original. Ela mora com dois senhores idosos e simpáticos. Pena que ela parte desta para melhor de maneira abrupta. O casal sexagenário então “convida-se” para a intimidade dos pombinhos.
Um cerco circuncêntrico vai tomando conta da mãe. Sim, Rosemary está grávida! De quem? Bem, imaginamos o pior. Mas não sabemos se é paranóia da personagem ou tudo aquilo que é insinuado por sombras, sons de outro lado da parede, medicamentos, chazinhos e sorrisos melífluos é real ou imaginário.
Cada detalhe deve ser valorizado, os diálogos são sub-reptícios. A dosagem de terror é milimétrica. Nada é por acaso. Todos os gestos são suspeitos e bem estudados. Até o nome do galante senhor é também algo a ser investigado.
O que me perturba é a conduta do marido, muito subserviente aos vizinhos. Acolhedor em demasia. O que há com ele? Então Rosemary, que já passa total desproteção psíquica e física, cai em desespero. Seu médico pré-natalista seria um satanista?
As pistas são várias: livro dado pelo amigo que vem a falecer. O sucesso inesperado do marido, que sempre foi medíocre. A origem do desenho do colar. O nome real da erva que lhe é ofertada sempre. Mas o melhor está por vir. Dentro do seu imenso apartamento de pé-direito alto, desenho neo-gótico e janelão único, Rosemary – uma sonsa na vida – não tem saída.
O final se aproxima asfixiante, dúbio, e sem melodramas. Onde está o bebê? Para onde foi? E o casal? E o seu marido, mancomunado com o doutor do capeta? Mais uma porta se abre e o imenso salão de mais de 15 metros de extensão, cheio de mogno, carvalho e madeiras pesadas um berço balança. E em vez de lutar com o povo, ela embala o filho do diabo e resolve…
O que há de bom: atuação serena-desesperada-desconsolada de Mia Farrow e um roteiro que mexe no âmago do pequeno-burguês e seus sonhozinhos de classe média alta
O que há de ruim: não mostrou os jardins do prédio e nem o enorme salão de jantar interno
O que prestar atenção: Anton Lavey, um conhecido satanista que era morador do prédio, entoou as canções na cena final com o seu grupinho de adoradores, dando macabra verossimilhança ao enredo
A cena do filme: as duas em que o demo participa, uma copulando e a outra retratado na sua cria
Cotação: filme ótimo (@@@@)
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C.O.B.R.A
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Tags: cinema, críticas, o bebê de rosemary


