O Iluminado
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Esse é um filme que faz parte da seleção dos “Clássicos do COBRA”.
Sinceramente eu nunca soube onde Jack Nicholson arrumou aquela cara de psicopata que o acompanha por todas as suas brilhantes aparições cinematográficas. Agora já sei. Veio direto do âmago de um diretor iluminado, que o colocou como um personagem isolado num hotel no meio do nada. Junto com ele? Somente a esposa – uma mulher chata, inexpressiva e de orelhas enormes- e o filhinho. Este um garoto que vê gente morta!
Jack é Torrance, e tenta escrever um livro. Seu vazio existencial combina com o do hotel. Corredores imensos, salões quase cavernosos e a história de duas meninas mortas. Um suspense e tanto. Paulatinamente o senhor Torrance vai tornando-se agressivo. E o menininho vendo coisas.
Mas a platéia é que é privilegiada por uma câmera incrivelmente ágil e segura. Como será que ela nunca treme? Parabéns para o senhor Garret Brown que inventou este método de linearilidade. No labirinto dos jardins ela é fundamental. E a ceninha do velotrol (para os mais novos, o carrinho do menino)? Ambas fantásticas.
Delicie-se com o diálogo de Torrance com o maitre e depois com os convidados fantasmas, trema de medo ao ver que as coisas seguramente não irão acabar bem e fique extasiado ao perceber que a neve bloqueia quem chama e quem vem.
Não existem cenas de sangue explícito, apenas a do elevador… E isso é que nos agrada sobremaneira, pois o diretor nos assusta quando menos esperamos. Talvez um observador mais rígido venha dizer que a transformação de pai-bonzinho para pai-monstrinho tenha sido muito rápida, mas discordo. A psicopatologia sempre esteve ali. Apenas o hotel teve o cuidado de despertá-la.
Nicholson está estupendo. O cabelo desgrenhado, os olhos arregalados, o andar de jogador mascarado da NBA, as falas enroladas, o tom de voz variando a cada declaração de “non sense” tudo isso rendeu dezenas de outros subpersonagens. Contudo o melhor deles é o que arrebenta a porta a machadadas!
O final caminha de maneira sólida e fria. Esperado. Entretanto o desenrolar dos fatos e a maneira como o diretor filma, sendo econômico nas pistas de loucura e nas cenas impactantes, apenas aumentam o suspense e tensão gerais. Grande filme de um bom livro.
O que há de bom: Jack, tanto o Nicholson como o Torrance, que se imiscuem e a diretor assistente Brian Cook que foi muito feliz nas suas tomadas em geral e nos closes em particular
O que há de ruim: a atriz é feia de doer, energúmena e péssima até para sair correndo
O que prestar atenção: o quarto 237, a foto no finalzinho, a palavra escrita de batom “redrum”, tudo cuidadosamente colocado…
A cena do filme: “-Here’s Johnny!”
Cotação: filme ótimo (@@@@)
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C.O.B.R.A
cobra@oquerola.com
Tags: cinema, críticas, o iluminado



25 de October de 2010 às 16:15
Depois de algum tempo não vejo mais prazer em assistir filmes de terror, mas em outras épocas não perdia uma indicação. Foram centenas… De todos os que vi, O Iluminado foi sem dúvida alguma o mais assustador de todos.