O Último Mestre do Ar
![]()
Desconheço o desenho que originou este filme. Não sei se isso é vantagem ou desvantagem, pois segundo meus filhos, a animação é ótima. Provavelmente não fará sucesso nos EUA. É muito filosófico para eles e ao mesmo tempo a ação misturada com o intrincado gestual das mãos do menino Aang irá enjoar os pobres de espírito e fracos da mente.
Antes de tudo, o enredo é lindo. Baseado nas grandes sagas heróicas em que o Avatar é um mestre e apenas ainda não desenvolveu de forma integral seus poderes, aqui um menino que recusou a escolha de sim mesmo como salvador de um universo dividido por quatro reinos (da Água, Fogo, Ar e Terra) terá que uni-los novamente.
As lutas na realidade não são entre ele e os poderosos senhores do Fogo. E sim dele com suas lembranças. A morte dos monges e do mestre que tanto amou. A perda da unidade parental – já notaram que todo herói que se preza é órfão e não arruma namorada? E os conflitos seriíssimos de aceitação entre o filho do senhor do Fogo e seu pai? E a herança que a menina que domina a água encerra e depois encontra uma região em que todos praticam abertamente a dominação do seu elemento?
M. Shyamalan tem de esquecer de vez o seu sucesso primal e prosseguir na sua história anti-Disney. Sua noção de fantasia é diversa. Ele é oriental, mesmo que negue isso. E suas explicações sobre o mundo espiritual são belas e curtas. Talvez ao sem número de informações do filme assustem um pouco. Mas quem não se encanta com a cerejeira em flor e logo abaixo as duas carpas flamejantes nadando em perfeita união?
Tais imagens por ele criadas, são finíssimas. Cada fragmento de água despedaçado. E a parede imensa que é erguida por Aang? Além das filigranas delicadas de sua tatuagem que ao emanar poder tornam-se azuis? Efeito incrível na telona.
Peregrinando pelos reinos tomados pelo Fogo, a Terra parece ser o mais campesino. A apologia da dominação está subscrita. Leia que puder. Será que no mundo de hoje, tão cheio de invenções e máquinas, com o consumismo desenfreado, ainda haverá espaço para a união? Para o encontro entre os povos? Precisaremos de um líder mundial?
Como o filme não é longo e ele demora a dominar a água, vejo que haverá uma continuação. Porém o final é mítico e mágico. Podemos inferir várias conclusões, desde a doação de uma vida para que tudo prossiga, até a infame agressão da Natureza e seus mistérios e regras, levando a desordem. Não é isso que ocorre nos nossos tempos?
O que há de bom: o menino-ator é muito convincente e sua plasticidade nos movimentos encanta
O que há de ruim: se soubéssemos mais o filme não precisava ser tão didático, a maioria dos diretores ainda subestima a inteligência da platéia
O que prestar atenção: o bisão voador apesar da força que emite tem um rosto bondoso e servil e o pequeno “gremlin” voador deve ter algum significado que ainda não vi
A cena do filme: ele finalmente aceitando seu destino e fazendo jus aos poderes que tem
Cotação: filme ótimo (@@@@)
* Você que e fã do C.O.B.R.A, agora pode interagir com ele através do Orkut.
Clique no link: http://www.orkut.com/Profile.aspx?uid=660313573257370709
C.O.B.R.A
cobra@oquerola.com
Tags: cinema, crítica, o último mestre do ar


