Fechar
HOME
ANUNCIE
BLOG!
 Nutrição
 Lifestyle
 Aqui ROLA
 C.O.B.R.A.
 Flor & Cultura

CONCURSOS

INTERCÂMBIO

VÍDEOS

VESTIBULAR

AGENDA
 Shows e Festas
 Eventos e Teatro

CINEMA

GUIA
 Academias
 Bares
 Boates
 Hotéis
 Motéis
 Restaurantes

FOTOS
 Fotos e Flagras
 Fatos e Fotos

INSTITUCIONAL
 OqueROLA.com

 Queremos você
 Fale Conosco




 
 

Rashomon

Esse é um filme que faz parte da seleção dos “Clássicos do COBRA”.

Não há adjetivos para qualificar o diretor Akira Kurosawa. Sua obra é atemporal, seus filmes sublimes, tingidos por filosofia e um intricado julgamento moral. Ele é um dos homens que conheço que mais conseguiu aproximar o ocidente do oriente e tornar ambos visíveis aos olhos do outro.

Vamos aos fatos. Um homem bem vestido está morto, vítima de uma lesão profunda pérfuro-cortante em seu peito. Uma mulher é agora viúva e manteve relações com um ladrão contumaz que por ali foi visto. O homem estava solto e apresentava sinais de luta assim como o salteador (盗人 nusubito). Chove a cântaros e um religioso, um homem comum e um catador de lenha escutam o relato de cada um dos quatro envolvidos. Pois o catador testemunhou os fatos.

A mulher mostra uma variação de humor entre a histeria e a quietude. O ladrão flutua entre a ironia e o deboche. E a testemunha dos fatos sente medo ao relatar o que viu. E por fim, surpreendentemente, o morto também nos conta sua versão do assassinato, numa interpretação poderosa de uma médium (巫女 miko). E o seu tom é de surpreendente conformidade. O que, verdadeiramente ocorreu? De quem é a versão mais fidedigna?

O espectador se delicia ao ver um show de interpretação de Toshiro Mifune, no papel de Tajōmaru (多襄丸), o animal solto na mata, de gargalhadas histriônicas, gestos largos e de uma lógica irrefutável. Ele quer, ele busca e conquista. Será que ela ao tê-lo em seus braços trocou o certo e chato pelo duvida aventurosa?

E ela? Mulher violada, pertencente a dois homens numa época imperdoável, numa cultura milenar. Massacrada pelo mundo machista em que ela é somente mercadoria de coito. Mas quem irá dela cuidar? Depois de um deles morto ficar? Em qual momento ela pode ver seu destino selado e qual cavalo haveria depois de montá-la?

O morto fala. E como sua decepção com a esposa é tamanha que seus relatos ficam pobres diante dos dois anteriores. A luta de ambos tem variações sobre um mesmo temo, como uma ópera. Apenas o modo de vencer e os gestos são diversos.

E finalmente o catador de lenha nos mostra a verdadeira versão (?!) em que o grande susto é a participação fundamental da fêmea como o real fiel da balança. Ela os manipula, os utiliza ao seu bel prazer e deixa o destino fazer a escolha. Pena que quando ambos começam a lutar o desinteresse deles por ela é notório. Assim como o finalizar da luta.

O que é interessante é que cada um deles no seu próprio relato é que dá fim ao problema. O seja, mata o marido. E sabemos, no entanto, que a suave retirada do punhal é de fato um roubo. E que mesmo sendo testemunha não participante, o catador de lenha mostra-se imundo e ladrão. Ao deixar uma mulher ser violentada, apreciar o ato sexual depois consentido e a morte – até meio que sem querer – do corno triste e ainda levar consigo um bem de valor financeiro elevado.

Onde está a moral? Quem tem razão em seus variados atos comportamentais? Será o ser humano tão impregnado de falibilidade e vícios de conduta? Chove. Chove. Chove. Uma criança chora. Chegar perto dela é a chave do final. Ainda resta uma esperança. E o mais sábio e honesto de todos não é nem o sacerdote que tudo ouve e não julga e muito menos homem do povo que interpreta cada fato de acordo com o seu relator. Inteligente mesmo é o diretor Kurosawa, que nos deixa atônitos com o cessar da chuva e o sol.

O que há de bom: enredo riquíssimo de sexo, dinheiro e poder as molas mestras do mundo
O que há de ruim: poderia ser mais longo e rico o texto adaptado por Ryūnosuke Akutagawa (芥川 龍之介) de um conto milenar japonês
O que prestar atenção: só existem três locações, o abrigo da chuva, intitulado de Rashomon, o mato e o tablado seco do tribunal
A cena do filme: quando ela resolve falar e ri, na versão do catador de lenha, poderosa

Cotação: filme excelente (@@@@@)

* Você que e fã do C.O.B.R.A, agora pode interagir com ele através do Orkut.
Clique no link: http://www.orkut.com/Profile.aspx?uid=660313573257370709

C.O.B.R.A

cobra@oquerola.com

Tags: , ,

Deixe um comentário




Home OqueROLA.com Anuncie Queremos Você Fale Conosco
OqueRola.com © 2007-2010 Todos os direitos reservados Produzido por Unilógica