Violência Gratuita
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Esse é um filme que faz parte da seleção dos “Clássicos do COBRA”.
Aviso aos cinéfilos de plantão; é imperdível. O diretor dá uma aula de cinema. Não só quando teima em negar a visualização das cenas de violência, mas quando na única que ele nos presenteia, corrige-a rapidamente numa das maiores surpresas do cinema nos últimos tempos.
Dois rapazes pedem ovos. Estamos num balneário rico de pessoas felizes que dirigem carros SUV ao som de Handel, “Care Selve, Ombre Beate”. Um casal e seu filho. Naomi Watts é a mulher, atriz maravilhosa que nesta fita revela-se completa. Primeiro ao atender o rapaz bem vestido, loirinho, cabelo de dândi, voz bem comportada, maneiras gentis e um vocabulário rico e educado, ela é correta. Depois suspeita de algo e no fim chama o marido.
Em português a palavra é maligno. Ambos são. O primeiro, já descrito é o chefe e o segundo; o seguidor. Na bofetada respondida de imediato com uma varada nos joelhos com o taco de golfe, tudo é revelado. Eles provavelmente irão morrer. Não passarão de um dia. O público no cinema não fecha a boca de tão estupefatos.
Não há explicações plausíveis para tais atos e comportamentos. O diretor coloca na boca do líder algumas justificativas, mas como todas as falas dele; estão carregadas de ironia. E tome mais discursos com fala mansa e porrada. A cena dela tirando a roupa é dolorosa. Assim como a perseguição ao menino.
Ótimo ator-mirim, mostra aquele garoto criado em granja, confinado. Não sabe correr, pular um muro e nem atirar. Quanto mais fugir de um marmanjo que se mostra monstruoso a cada take e discurso ferino. O incômodo do espectador é tamanho que alguns não resistem e comentam em voz alta.
Torcemos para que ela fuja. Uma morte tão estúpida como a que nos é sugerida – e nunca mostrada – não pode ficar em vão. O sofrimento em se livrar das amarras e depois deixar o marido e escapar é acompanhado com tensão real por todos na sala de projeção.
São odiosos os dois rapazes, vestidos de branco e com luvinhas. Mas nada os importuna e a lógica assassina perdura. Rezar de trás pra frente, corrigir os modos do inimigo, colocar o som bem alto, caminhar lentamente, abrir o porta-malas do carro após a velha brincadeirinha do “quente-frio”, isso dói.
O final é um anticlímax dos melhores já feitos. Amarrado o problema, um pequeno diálogo totalmente descartável e o corpo idem. Um empurrãozinho, apenas. E depois disso a velha política de boa vizinhança, pedir ovos novamente.
O que há de bom: direção perturbadora que nos manipula e joga nossas emoções na parede como um tirambaço de calibre 12
O que há de ruim: não vi o original, não achei em vídeo, e nem sabia que existia
O que prestar atenção: além de Handel na trilha sonora eles incluem Mascagni “Tu qui santuzza” da Cavaleira Rusticana e o meu maravilhoso Mozart com o singelo quinteto para clarineta, violino, viola e violoncelo e conseguem misturar isso com um metal pesado e sons de sofrimento, trilha sonora incrível
A cena do filme: quebrando ovos
Cotação: filme ótimo (@@@@)
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C.O.B.R.A
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Tags: cinema, críticas, violência gratuita



