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Ponyo – Uma Amizade que Veio do Mar

Hayao Miyasaki. Por favor, aqueles que não conhecem, pesquisem. Os que tiveram a experiência de assistir “A Viagem de Chihiro”, vejam mais uma animação. Que tal “Meu Vizinho Totoro” ? O que lhes peço é que não deixem passar a oportunidade de mergulhar nos desenhos lúdicos e profundos deste mestre.

Inspirado levemente na pequena sereia, de Andersen, aqui o autor mostra logo no começo uma esfuziante imagem do fundo do mar. Aonde as águas vivas vão se misturando com a pequena peixinha dourada. Ela ascende até a superfície e envolta numa rede de arrasto, em um mar sujo e cheio de resíduos, fica presa num vidro.

Sosuke, um garoto de 5 anos, a salva e guarda-a num balde. O desenho é bem simples, quase uma aquarela, de tão leve. Pés descalços. Carrinho estilizado. Cabelos soltos. Olhos bem arredondados. E no fundo uma trilha musical irrepreensível, da autoria de Joe Hisaichi.

Os pais de Sosuke são mais infantis do que ele. Enquanto a mãe dá chiliques quando o pai não consegue chegar a casa, este se mostra omisso e distante. Eles moram no alto de um penhasco, à beira do mar, cercado por uma floresta. As curvas são fechadas, o vento é intenso e ela – a mãe – cuida de idosas senhoras logo à frente.

A amizade entre o garotinho e a douradinha é tão intensa que ela deseja transformar-se em humana. Seu pai superprotetor a envolve numa bolha, separada até de suas irmãs. Ele é um ex-humano que detesta as transformações que a raça fez no oceano e deseja tudo transformar. Um feiticeiro com boas intenções, mas de recursos errôneos.

E ela consegue! Transformada em criança vai em busca de seu grande e inocente amor: Sosuke! As águas se transformam em atuns enormes, que são ondas, que são uma tempestade. Mais momentos de reflexão. Será que a mãe deve fugir com a filha para o alto do penhasco? Dirigindo irresponsavelmente o seu carrinho minúsculo?

Momentos de puro deleite ao vermos eles passeando no barco a vapor, movido à vela. Por baixo deles peixes pré-históricos, navegando sobre a estrada agora submersa. Imagens deliciosas e lentas. Muito diverso dos filmes de animação ocidentais de uma correria só e violência idem.

Nascida Brunhilde e batizada por seu amorzinho de Ponyo, a menina-aquática tem como mãe a belíssima Granmamare. Uma prova do seu bem-querer é necessária, ou toda a ordem da terra e mar será alterada. Basta apenas dizer que aceita Ponyo do jeito que é. Peixe ou humana. E isso é muito fácil para quem ama, de verdade.

Termina com um beijo flutuante. Eles no ar, e eu também.

O que há de bom: resgate do lúdico, da pureza, mas sem pieguismos
O que há de ruim: tanta imaginação e desenhos passam rápidos para olhos desacostumados como os nossos
O que prestar atenção: o nome do barco do pai dele é o mesmo da cidade da empresa de animação que Miyasaki comanda
A cena do filme: ela deitadinha, de barriguinha pra cima, dormindo, como só os inocentes podem e conseguem

Cotação: filme ótimo(@@@@)

* Você que e fã do C.O.B.R.A, agora pode interagir com ele através do Orkut.
Clique no link: http://www.orkut.com/Profile.aspx?uid=660313573257370709

C.O.B.R.A

cobra@oquerola.com

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