Analfabeto político

“O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas. O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos que é o político vigarista, pilantra, o corrupto e lacaio dos exploradores do povo.”

Bertold Brecht

O poema do dramaturgo russo Bertold Brecht está mais atual do que nunca no nosso país. É certo que vem diminuindo ao longo dos últimos 20 anos, mas ainda tem sido muito ouvido a expressão: “Não gosto de política... não sei nada, afinal são todos ladrões...” e estufam o peito e saem como se tivessem razão.

Já eu gosto de política. Acho que ali está a verdadeira saída para a miséria que atinge grande parte da população. Não é retórica vazia. É crença mesmo! Quando ouço alguém falar que “... são todos ladrões...” tenho o ímpeto de falar: “NÃO SÃO”! Gritado assim, apaixonado assim.

Quando vejo debates – bem debatidos, diga-se de passagem –, vibro. Fico em pé. Torcendo mesmo. Igual quando se está assistindo um jogo de futebol e o seu time está ganhando. Grito com a TV. Coisa de gente doente mesmo. Maluca. Acho que política é o meu futebol.

Todavia tem ficado cada vez mais difícil manter o sentimento. Sabe aquele que não é regado constantemente e que murcha ao longo dos anos? Aquele que te decepciona sempre e não de vez em quando?

Quando eu vejo a votação do impeachment – embora favorável –, o sentimento murcha. Quando eu vejo dinheiro da saúde desviado pro bolso de alguns – esvai. Quando eu vejo crianças passando fome e sem futuro algum – esvazia. Quando eu vejo velhinhos tendo que trabalhar pra sustentar a família – esmorece. Quando eu vejo a fila de tratamento de pessoas com câncer, com a primeira quimioterapia sendo marcada somente com seis meses – esgota... E assim sucessivamente, vez após outra...

O congresso nacional é a instituição mais mal vista de Brasil. O que é triste, já que nenhum dos deputados que lá estão entraram ali batendo o pé na porta e impondo sua presença. NÃO!! Eles foram colocados ali através do voto, por eleições diretas. Se estamos insatisfeitos com o Congresso Nacional, estamos insatisfeitos conosco mesmo, pois afinal como diria de Tocqueville “Em uma democracia representativa o legislativo é a cara da população”. Se lá está feio, é por que nós estamos feios.

Temos que discutir, votar e escolher. Temos que debater, cobrar e participar. Temos que parar de colocar todos na vala do comum e saber que existem pessoas diferentes. A mudança está na mão do povo. O povo... Existe uma grande massa dos que não pensam, não sabem o poder do voto, de pouca instrução, dependentes do governo. Outros são os poderosos que ajudam fulano se eleger, em troca de um favor escuso combinado anteriormente. Restam os que têm consciência, que torcem por um Brasil melhor, mais justo e próspero. Enfim, um quadro de difícil solução. Muitos são boiadas obedientes, como “Vida de Gado” de Zé Ramalho: “povo marcado e povo feliz...”.

O poder está em nós, o povo. Temos que nos lembrar de que quem não gosta de política é governado por quem gosta e quem não discute é governado por quem discute. E se não nos apropriamos desse poder que temos, seremos nós mesmos que sofreremos.

Um abraço e até mais.

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