Casual Day

Sabe aquele dia que você não está disposto a falar nada de sério? Pois é. É hoje. Sexta feira. O famoso “Casual Day”. Moda inventada pelos executivos americanos para economizar com psicólogos. Um dia onde algumas regras básicas de vestuário podem ser flexibilizadas. Daí foi estendido a outras áreas além das vestimentas e acabou virando um semifinal de semana. A sexta, em muitos casos, é mais aguardada que o sábado ou o domingo. Virou dia nacional da cerveja e passou a ser o melhor dia da semana. Mas o que podemos concluir com isso? Somente uma tradição que se impôs pelo simples uso e costume? Ou ela reflete algo mais profundo do que isso?

Há mais ou menos dez anos atrás, fui apresentado à teoria do “Slow Friday” (esse nome em inglês é pura frescura para tentar tornar o negócio mais sério um pouco). Quem me contou sobre isso foi um sócio. Em sua teoria, a sexta deveria ser dedicada a assuntos menos sérios. Coisas que você deixou pendentes a semana inteira. E muitas vezes, coisas de cunho pessoal. Mas tudo feito de uma maneira mais lenta e observativa. Tipo assim: se for engraxar os sapatos, ao invés de verificar seus e-mails no smartphone, converse com o engraxate. Pergunte sobre o tempo, a família e o futebol. Caso for andar de carro pela rua, fazê-lo de uma forma mais lenta observando a paisagem e a arquitetura das edificações. Caso for ao escritório, perguntar a secretária como sua mãe tem passado e se ela resolveu aquele problema do financiamento da casa própria. Entenderam? Deixar um pouco o turbilhão das atividades diárias e se relacionar mais amiúde com seu próximo. Ele, meu sócio, falava que com isso percebia coisas que não via durante o dia a dia. A partir desse dia eu passei a adotar essa teoria. Achei que seria de muita valia para a minha pessoa que vivia numa correria sem fim. Mas volto à mesma pergunta. A reflexão é mais profunda que isso?

Penso que sim. A reflexão é mais profunda. E digo que essa tendência de flexibilizar a sexta ou qualquer outro dia da semana deve-se ao fato de que as pessoas estão vendo que existe vida além do turbilhão do dia a dia. E uma vida mais saudável. Menos estressante. Mas será que só um ou dois dias da semana resolvem o problema? Penso que não. Nesse ponto entra uma máxima que defendo com unhas e dentes. O equilíbrio. Penso que não adianta passar a semana inteira em um emaranhado de trabalho e de repente soltar o freio como se nada mais importasse. Entendo que essa não seja a melhor receita para a felicidade. A dosagem de “Slow Life” deve ser diária e gradativa. Não estou propondo aqui que todos abandonemos nossos afazeres e fundemos uma comunidade hippie. Não é isso. Mas que encontremos mais gosto nas atividades diárias. Não tratemos nossas obrigações como fardos pesados e insuportáveis de carregar. E com isso não deixemos de observar as pessoas que estão ao nosso redor e principalmente não deixemos de nos relacionar com elas. Observar a vida que passa. Interagir com ela. Caso contrário ela se esvai. E aí não adiantará esperar a sexta se a vida acabar na segunda.

 

 

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