Chorinho volta a encantar a calçada do Grande Hotel e me enche de nostalgia

Lillian Bento

Amanhã é o dia! O Grande Hotel volta a receber o projeto Grande Hotel Vive o Choro, o Chorinho, como ficou conhecido. O projeto teve início em 2003 e animou as noites de sexta dos integrantes da velha guarda goianiense como esta jornalista que vos fala.

Toda sexta-feira meu destino era certo: a esquina da Avenida Goiás com a Rua 03, no Centro, na calçada do Centro de Memória e Referência Grande Hotel. Eu saía de casa sozinha e muitas vezes sem combinar com ninguém porque os encontros eram certos e maravilhosos. Sempre!

Cerveja barata, prosa boa, projetos que nasceram de conversas iniciadas naquela calçada bonita. São tantas as recordações que a notícia da volta do projeto me levou a um estado de nostalgia. Sou memória.

Me lembro que alguns anos depois do início do projeto me mudei de Goiânia e fui viver em Campinas, no interior de São Paulo, mas isso não me afastou do Chorinho. Ao contrário. Eu aguardava ansiosa pelos meses de férias quando voltava para Goiânia. Sabia que a programação das sextas-feiras era certa: o Chorinho.

Como já não morava em Goiânia era ali que reencontrava tantas amigas e amigos que também viviam em outras cidades ou que moravam por aqui. Sempre uma delícia de reencontro. Das calçadas do Grande Hotel seguíamos para o Jazz, outro projeto que acontecia na sequência no Centro Municipal de Cultura Goiânia Ouro.

O Centro era nosso. Percorríamos tudo caminhando e caminhar é uma atitude revolucionária. Quando caminhamos nos integramos ao espaço urbano, tomamos nosso lugar na cidade. Se de carro o trajeto é apenas um instante, caminhando se torna travessia e a travessia é parte da história, parte da própria noite.

Não se tratava de sair para ir em uma boate ou pub, um lugar fechado. Se tratava de sair para viver as ruas de Goiânia com sua Art Déco e sua iluminação acobreada. Se tratava de ser parte da história da cidade.

Para mim não há dúvidas, o Chorinho é um projeto que empoderou toda uma geração. Não tenho um amigo de Goiânia na minha faixa etária, os 30  e alguns anos, que não tenha uma boa história para contar envolvendo aquela calçada do Grande Hotel.

Mas diferente da atual geração, a geração selfie, temos poucas fotos desses nossos encontros, mas muitas memórias. Muitas paixões e muito amor pelo que ali foi vivido. Eu poderia sentar em uma mesa de bar e contar história até babar colorido.

E é aí que o retorno do Chorinho vai ser bom. Não espero retornar ao que foi vivido e nem quero. Em memórias boas não mexemos, apenas guardamos. O que desejo é reencontrar velhos amigos, mas desejo principalmente que mais e mais pessoas vivam grandes histórias na inebriante calçada do Grande Hotel.

Lillian Bento é jornalista e editora do portal O Que Rola

 





[caption id="attachment_187040" align="aligncenter" width="720"] Fotos: Lillian Bento/2011[/caption]

 

Serviço:

Grande Hotel Vive o Choro
Dia 18 de agosto de 2017 (Sexta-feira)
Horário: das 19h às 22h
Local: Centro de Memória e Referência Grande Hotel (Avenida Goiás, esquina com a Rua 3, Centro).
Entrada franca.

 

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