Começou a derrocada do prefeito Facebook

João Dória sentiu o baque. Não ser mais percebido como o golden boy da política nacional deve estar tirando o sono do cara. Semana passada foi pesada para o prefeito de São Paulo.

A pesquisa Datafolha de intenção de votos para o ano que vem mostra que seu nome não deslanchou. No debate interno do PSDB para a escolha do candidato que vai disputar o pleito de 2018, Dória tentava colar a tese de que o mais bem avaliado nas pesquisas deveria ser ungido. Ele apostava suas fichas que estaria em situação bem mais confortável do que se encontra. Ele vê sua própria lógica o colocar em situação de xeque: Geraldo Alckmin disputa ombro a ombro com o prefeito nos números da pesquisa.

Os dados levantados pelo Instituto Datafolha são ainda mais preocupantes para Dória. A aprovação de seu trabalho como prefeito despencou nove pontos. Por ser tão ligado a marketing e pesquisas, ele sabe que tem que suar a camisa para recuperar o terreno perdido. Mas não é suar viajando pelo Brasil, como vem fazendo na tentativa de popularizar seu nome. É mostrar serviço para a cidade que o elegeu com votação expressiva, ainda em primeiro turno.

O problema é que São Paulo exige uma coisa e Dória está com a cabeça em outro lugar. Enquanto o paulistano anseia alguém que resolva suas mais elementares demandas, o prefeito Facebook sonha com Brasília. Tudo claramente incompatível. É o sentimento que a pesquisa capta.

Mas o pior de tudo foi o bate-boca com Alberto Goldman. É difícil arrumar algum ponto positivo na resposta de Dória ao histórico líder tucano. Quando fala que seu crítico é um “fracassado” e que só “fica de pijamas”, o prefeito revela preconceito para com a velhice. Isso é imperdoável. Não respeitar e aprender com a sabedoria de quem está aposentado é uma falha grave. E, ao que parece. Dória se orgulha de ter esse defeito. Bola fora total.

Além de ficar desgastado perante a opinião pública, o desastre no xadrez partidário é ainda pior. Dória trai quem o bancou como político (Alckmin) e faz troça de líderes partidários (Goldman). A falta de costura interna junto aos tucanos revela que ele não sabe nada do jogo intestino da política.

Para quem se diz gestor, profissional, são muitos erros acumulados. Tanta trapalhada que é difícil encontrar algo que salve nesse tanto de cabeçada na parede.

A verdade é que o açodamento mina as possibilidades de Dória. A derrocada do prefeito Facebook é real. Sem números consistentes e uma aprovação nas alturas de sua gestão em São Paulo, Dória não é viável para 2018.

Portando-se com a delicadeza de um elefante em loja de cristais, ele se mostra mais um político ordinário, que coloca seu desejo pessoal na frente de qualquer outra coisa. Não tem respeito pelos mais experientes, seu ego é incontrolável e está pouco se lixando para os votos que teve para ser prefeito de São Paulo.

E é esse cara aí que vocês e o MBL querem como presidente da República?

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