Cordão de três dobras

Sou um cara tremendamente abençoado por Deus. Sortudo pra alguns, pé-quente pra outros e ainda afortunado para tantos. Mas, pra mim, falo isso de boca cheia: sou abençoado! Vou explicar aqui o porquê.

Esses dias atrás, estava olhando uma mulher. Linda, formosa e charmosa. Devia ter quase 40 anos. Digna era, tranquilamente, de ser uma das musas de Balzac. Curvilínea por natureza e ainda estava a segurar a mão de uma criança e com outra nos braços. Jogava os seus cabelos de um lado para outro enquanto balançava delicadamente seu neném.

Não consegui tirar os olhos dela. Pensei em sua história, em como chegara até ali. Em sua mão uma aliança se distinguia de sua pele branca. Pensei: UAU! Como seu marido é um homem sortudo! E, sim senhores leitores, seu marido sou EU.

Amo minha família. Amo minha esposa. Depois de quase 14 anos juntos, eu ainda a desejo. Emocional e carnalmente. Creio que vou assim desejá-la enquanto vida eu tiver. Pego-me apaixonado e apaixonando nela sempre. Quando viajo, bate aquela saudade... Saudade doída. Que só a presença ou mesmo a voz pode acalmá-la.

Olho pra trás e aquele encontro despretensioso em um cinema, assistindo Deus é Brasileiro, gerou duas filhas lindas. Aliás, elas são a prova definitiva que podemos viver sem um dos nossos órgãos, pois o nosso coração bate fora do corpo! Várias histórias. De alegria e tristeza; de raiva e regozijo; de euforia e depressão. Mas todas elas com um ingrediente principal: o amor.

Amor. Palavra de quatro letras tão banalmente usada pelos jovens. Tão erradamente usada por muitos. “Que vive nas ideias desses amantes Que cantam os poetas mais delirantes Que juram os profetas embriagados” como diria Chico. Facilmente falado, mas dificilmente vivido. Exige renúncia, negação de si, preferir o conforto do outro ao seu próprio conforto.

Ser capaz de dormir desconfortavelmente no quarto da filha recém-nascida pra deixar o marido e filha mais velha dormirem bem. E ainda depois de uma cirurgia. Isso é amor! Vívido e vivido na sua mais plena forma. Não só com palavras, mas de atos, de gestos e exemplos. Pequenas atitudes que fazem uma grande diferença. É a semente regada no dia-a-dia.

Somos distantes de sermos um casal perfeito. Brigamos. Rimos. Rimos um do outro e um com outro. Tenho minhas limitações e idiossincrasias e ela tem as dela. Sou mais vento e ela é mais terra. Sou mais poesia e ela é menos fantasia. E isso gerou uma mistura tão legal que nos deu filhas fantásticas. Somos diferentes e a prova viva de que os opostos sim, se atraem e mantém-se unidos. E pra separar... ahhh, meu amigo... Precisa de força, viu?

Creio que só a morte nos separará. Afinal de contas, “o cordão de três dobras, jamais arrebentará!”

Um abraço e até mais.

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