E o amianto, hein?

O Supremo Tribunal Federal decidiu por não decidir. Sem conseguir um alinhamento mínimo entre os magistrados sobre o uso e produção do amianto no Brasil, a corte maior do país resolveu terceirizar a regulação da fibra do mineral aos estados.

Decisão bem malandrinha, né? Lavou as mãos e deixou a batata quente com as 27 unidades da federação. O que veremos de agora adiante é cada estado decidindo como lhe convir. Exatamente como acontece hoje. Longe, muito longe, do ideal.

Não há consenso científico sobre a produção e uso seguro do amianto. Existem excelentes argumentos a favor e contra. O mineral consegue entregar ao público um excelente custo-benefício. Tem resistência impressionante com preço imbatível devido sua farta oferta.

Por outro lado, há comprovação de que se manipulado com imprudência pelos trabalhadores das minas, o amianto causa sérios problemas respiratórios. A asbestose é a doença mais popular delas.

Para o consumidor final, no caso de uso prolongado de telhas ou caixas d'água sem a devida manutenção, o desgaste das peças soltaria fibras que, uma vez em suspensão, têm alto potencial cancerígeno.

A fibra de vidro, principal concorrente do amianto no mercado, também não é santa. Derivada do petróleo, tem custo superior e também riscos à saúde em caso de uso indevido.

Trata-se de uma escolha de Sofia. Como o consenso científico não existe, cada um segue aquilo que lhe toca mais ao coração.

Eu fiz minha opção. Quando mudei para a casa em que atualmente moro, ao subir para lavar a caixa d'água, vi que era de amianto. Na primeira reforma que empreendi, troquei pela de fibra de vidro. Sem muita convicção, é verdade. Mas a substituição foi o caminho que escolhi.

Você faria o mesmo? Ou deixaria o armazenamento da água que você consome diariamente em um recipiente de amianto? Espero sua resposta aí embaixo.

Para Goiás, em especial Minaçu, sob a perspectiva econômica, a exploração do amianto é fundamental. A cidade depende da renda gerada pela fibra para sua existência. Nosso estado tem sede dos reais que entram no caixa via arrecadação de impostos.

Contudo, não podemos priorizar o dinheiro em detrimento da saúde. Quanto aos trabalhadores, o que se divulga é que os equipamentos de proteção individual melhoraram muito de 30 anos para cá. Logo, a saúde de quem opera nas minas não corre riscos como acontecia décadas atrás.

Existe um outro lado da moeda: não há garantia dessa mesma segurança quando seguimos adiante na cadeia do produto. Se há risco para saúde da população quando a peça de amianto está no mercado, isso não pode ser desprezado.

Esse zelo pautou a proibição do produto em cinco estados do Brasil. Mais de 60 países mundo afora tomaram a mesma decisão. Convenhamos, números nada desprezíveis.

Fiz minha escolha. E não penso muito no assunto. A questão é que o STF não poderia ter uma postura assim e deveria tirar conclusão. Sem isso, vamos continuar nessa zona cinzenta da incerteza.

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