E vejo flores em você…

O então vice-presidente da República (que depois, em movimento astuto, se sentaria na principal cadeira do País) pega um avião emprestado com o maior empresário da pecuária brasileira (que depois se transformaria no homem-bomba nacional). O destino é um evento que reúne parcela significativa do PIB nacional, organizado por um playboy televisivo que, tempos depois, seria prefeito da principal cidade do País (e que alimenta despudoradamente o sonho de ser sucessor do primeiro personagem aqui citado).

É, meus amigos… O roteirista dessa coisa chamada Brasil está abusando dos alucinógenos.

E nem é por conta desse evidente conflito de interesses. O que me deixa boquiaberto é que o fator gerador de celeuma foi a gentileza totalmente joão-sem-braço de Joesley Batista direcionada a Marcela Temer. Ao deixar as gentis, e cheias de insinuações, flores para a esposa do peemedebista no avião que emprestara ao casal do Jaburu, o empresário despertou no político aquele que é o mais vil dos sentimentos: o ciúme.

David Byrne me ensinou: now, it`s nothing but the flowers. Esse hábito de políticos usarem da estrutura de privados para seus deslocamentos seria motivo de escândalo em qualquer lugar decente do mundo. É claro que o Brasil não está incluso nesse rol.

Lula nunca teve pudor de usar de seus contatos para roletar por aí. Andou o mundo em jatinhos de empresários que não queriam somente sua, suponho, divertida companhia. Os negócios que o Estado brasileiro podem gerar eram o principal interesse.

O pior é que até hoje Lula não entendeu que a prática não é apropriada. Ao chegar de jatinho a Curitiba para prestar depoimento, o petista evidencia que considera a prática normal. A frouxidão moral dos maiores nomes de nossa política é constrangedora.

A face de Temer nunca ruborizou por fazer uso do mesmo expediente. Não havia o menor incômodo nessa nefasta prática. Muito pelo contrário. Para aquela rapaziada, confere peso e dá moral entre seus pares mostrar intimidade com figurões de alto calibre.

Após a eclosão do escândalo do avião mostrando que as relações entre Temer e o notório falastrão vêm de longe, a tentativa atrapalhada de negar o uso da aeronave da JBS não colou, é claro. Bastou checar na FAB que a versão caiu por terra. Depois, veio a estapafúrdia justificativa de que não sabia de quem seria a propriedade. Tudo isso é digno de entrar para o extenso livro de justificativas que não colam usadas pelos políticos brasileiros.

Tirar satisfação pelas flores à esposa é só o detalhe cômico de nossa tragédia.

E, como tudo leva a crer que Temer escapará por um triz do julgamento do TSE, não há esperança de que, ao menos no curto prazo, o espírito público que zela da imagem da instituição que é a presidência da República prevaleça.

E eu que, ingenuamente, pensei que o cara não escaparia do julgamento no tribunal eleitoral… Ainda tenho muito a aprender.

Temer entendeu direitinho os Titãs e se porta como flores de plástico. Afinal, elas não morrem.

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