Elder Dias: Em busca da empatia perdida

Empatia. Segundo o Dicionário Houaiss, substantivo feminino que conceitua a “capacidade de se identificar com outra pessoa, de sentir o que ela sente, de querer o que ela quer, de apreender do modo como ela apreende etc.”. Duas subdefinições: a primeira, segundo a psicologia, fala em “processo de identificação em que o indivíduo se coloca no lugar do outro e, com base em suas próprias suposições ou impressões, tenta compreender o comportamento do outro”; a segunda, da sociologia, diz que empatia é a “forma de cognição do eu social mediante três aptidões: para se ver do ponto de vista de outrem, para ver os outros do ponto de vista de outrem ou para ver os outros do ponto de vista deles mesmos”.

empatiaCurioso é que a existência da empatia, como conceito, é relativamente nova. O termo foi criado pelo filósofo alemão Theodor Lipps, no início do século passado. Por que tanto tempo sem definir um componente tão importante das relações humanas? Hum... talvez porque ele só tenha se tornado verdadeiramente notado (ou notável) recentemente? É uma possibilidade.

Empatia não é o oposto de egoísmo. Exercitá-la, no entanto, é uma forma de combatê-lo, de lutar contra os vícios do próprio ego. Não que necessariamente a empatia vá vencer todos os combates sobre esse seu “rival”, contra o qual digladia nas batalhas do campo de guerra chamado consciência. Mas, quando ela ganha, a empatia dá margem para a entrada do altruísmo.

Aí sim, há uma mudança de governo no seio do ser. Um golpe de Estado do bem.
Mas que os antigolpistas, no entanto, não se preocupem: empatia é artigo que anda escasso. Das formas mais simples (como chegar de madrugada fazendo barulho no condomínio) às mais graves (explodir uma bomba no metrô “em nome de Deus”).

No caso presente por que passa o Brasil, um pouco de empatia serviria para nos dar mais sabedoria ao lidar com as opiniões diversas em relação à política. Evitaria agressões gratuitas, perda de amizades, processos na Justiça, cusparadas etc.

empathy-showingMinimizaria a intolerância aos grupos radicais e pessoas doentes de fato: há 2% de seres humanos, dizem os estudos, que não conseguem ter empatia por uma questão biológica — um índice assustador em que estão incluídos, por exemplo, todos os psicopatas.

Mas para 98% há solução. Em algum lugar dentro de você deve haver uma chave que vai ligar o “e se fosse comigo?” nas mais diversas ocasiões? Basta procurá-la. E, quando encontrar essa ferramenta, não se envergonhe de utilizá-la sempre e muito.

Empatia é o típico caso em que quanto mais se usa, mais se tem.

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