Entre Marx e Misses, eu fico com Kant

A educação brasileira é uma pauta há muito debatida desde a última Constituição, aquela de 1988, capitaneada pelo Dr. Ulisses Guimarães, que faria 100 anos na quarta-feira última.

O Brasil está pessimamente colocado entre os demais países do mundo, ocupando a 60º posição, segundo o PISA de 2015, entre 76 países analisados. É considerado um dos lanternas dentre a formação de capital humano, com todos os índices negativos e uma política que faz envergonhar o Marquês de Sade. Somos, por incrível que pareça, uma das principais economias do mundo... tem lógica?

Tem-se discutido, nos dias de hoje, a tal da Reforma do Ensino Médio e ainda a Escola sem Partido. Tratarei da Reforma do Ensino Médio no devido tempo. Hoje, quero falar da Escola sem Partido.

Movimento que surgiu com o “objetivo de combater a doutrinação dos alunos sobre a utopia do esquerdismo e comunismo” segundo o próprio fundador do movimento. Ponto que gera desacordo e tem recebido inúmeras críticas dos movimentos sociais, mas vamos lá...

Quem aqui está lendo já passou ou passará pelo Ensino Médio: aqueles três últimos anos de estudo, depois dos quais, entramos naquele paraíso chamado faculdade. Pelo menos, é essa a ilusão. De qualquer forma, é especialmente no Ensino Médio, que ouvimos falar de Karl Marx. Talvez um pouquinho de Friedrich Engels, mas Marx é certeza.

Pai do “Manifesto Comunista” e de “O Capital”, nos quais define a economia como sendo o resultado de uma luta de classes, tantas vezes elogiado e seguido por muitos, outras tantas criticado e defenestrado por outros. Todavia, conhecido de todos.

Então, vem a pergunta que não quer calar: será ele o único autor que versou sobre economia e sociedade? Será que ele, sendo tratado como deus (com d minúsculo mesmo) por muitos não tem contraponto? E por que, meu Deus do céu, suas teorias nunca deram certo na prática?

A escola é um lugar de professores e alunos. Nela esses seriam supostamente orientados a adquirirem uma gama de conhecimento e teorias de pensadores para que possam escolher aqueles que mais lhes atraem. Se é Marx, que seja Marx; mas e se for outro? E como conhecer outros se não lhes são apresentados?

Como o aluno terá opinião se não conhece diferentes visões de mundo? Cabe ao professor mostrar-lhe o pensamento de diversos autores e pensadores, afinal, quem aqui já ouviu falar de Misses ou da Escola Austríaca? Ou ainda de Keynes, Malthus ou Jean Baptiste Say?

Talvez o nome Escola sem Partido seja um tanto quanto polêmico, talvez tenha que se mudar o nome do projeto. Perguntas que não se calam e respostas que não satisfazem surgem aos montes.

Quem sabe um dia todos entenderão a famosa frase de Winston Churchill, grande estadista inglês, que diz: “Quem nunca foi comunista até os 20 anos não tem coração e quem continua depois dos 30 não tem cérebro”. Quem sabe sairemos só da teoria e o Brasil não será conhecido apenas como o país do futebol e do carnaval, outrossim país de pensadores, de patriotas, dos nossos filhos.

O futuro é incerto, o certo é que colheremos amanhã a nossa plantação de hoje. Oxalá que plantemos boas coisas, afinal esse é o país que nossos filhos e netos viverão

Um abraço e até mais.

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