Esqueceram de combinar

Conta a lenda que, em 1958, na Copa do Mundo da Suécia, o técnico da Seleção Brasileira na época, Vicente Feola, se dirigiu ao Garrincha para uma conversa especial. A partida contra a União Soviética seria dura, os russos tinham uma das melhores seleções da época e, além disso, o Brasil só se classificaria com a vitória. Feola disse: "Garrincha, é o seguinte: você pega a bola e dribla o primeiro beque. Quando chegar o segundo, você dribla também. Aí vai até a linha de fundo, cruza forte pra trás, para o Vavá marcar”.

Garrincha, calado enquanto o técnico lhe passava as instruções, falou: "Tudo bem, seu Feola, mas o senhor já combinou isso com os russos?".

A história pode ser real ou não. Mas que é boa, é! Pois parece que a imprensa de um modo geral tem se esquecido de combinar com o restante da população o resultado das eleições em todo mundo.

A onda de conservadorismo toma conta do mundo em geral. Existe um fenômeno na sóciopsicologia chamado “maden agan” ou caminho do meio em bom português. Pois bem, a sociedade tende a ir de um extremo a outro até que acha o caminho do meio com o qual sobrevive.

Essa análise se torna bastante interessante quando extrapolamos o seu limite. Vemos as pessoas se digladiarem e se debaterem na arena pública moderna: as mídias sociais. Aliás, a tecnologia com o passar do tempo se torna como o ar que respiramos; invisível, todavia não vivemos sem.

Todos nós vemos apenas aquilo que nos interessa pelo facebook, graças ao seu algoritmo. Apenas vemos sobre o que procuramos, isso nos dá a impressão que todos nós temos os mesmos gostos, não estamos acostumados ao contraditório. Pois tenho uma noticia bem triste pra você caro leitor: muita gente não acredita no mesmo que você. Mas muita mesmo!!

A eleição do Trump nos EUA é a maior prova disso que quero falar aqui. Goste ou não, os Estados Unidos são o líder do mundo ocidental. Goste ou não, ainda é o país mais rico e culturalmente mais influente do mundo. E toda a imprensa dava como certa a barbada a vitória de Hillary Clinton. Esqueceram-se de combinar com o resto da população.

Não vou me aventurar aqui (pelo menos não nesse texto) sobre o governo de Obama. Foi bom ou não. Foi popular ou não. Não é essa a discussão. A discussão aqui é sobre o que a mídia tenta passar e a população não engole. Nada obstante, eles são engolidos pela vontade popular.

O cidadão médio não está preocupado com questões maiores. Com discussões de gênero nas escolas. Com desarmamento ou armamento. Ele está preocupado com o arroz na mesa; com a sua segurança e dos seus, em casa ou na rua, e em sua viagem uma vez ao ano. Caso ele fique sem uma sem essas coisas ele irá protestar. E começará a não acreditar mais em nada. E terá saudades de uma época que não existiu.

Em tempos sombrios, torna-se comum a volta ao passado. Não raro vemos hoje pessoas pedindo intervenção militar. E falam que aqueles tempos eram de paz. Apenas se esquecem de que “paz sem voz, não é paz. É medo!”.

Até mais!

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