Estrelas (muito) além do seu tempo

Gosto muito de filmes. Principalmente aqueles baseados em fatos reais. Recentemente vi um filme inspirador: Estrelas além do tempo.

Em tempos de Oscar aparelhado politicamente, mais preocupado em lacrar do que festejar a indústria do cinema, o grande vencedor do ano foi Moonlight. Aplaudido pela crítica pela temática LGBT - nada contra, deixo bem claro -, mas que só aparece no 100º lugar de público entre os lançamentos dos últimos 12 meses.

Parece-me que a chance de um filme patriota, baseado em fatos reais, sobre três negras americanas que venceram por mérito, inteligência e trabalho duro, é zero.
Como se não fosse politicamente incorreto o suficiente, Estrelas além do tempo ainda mostra que talento, responsabilidade individual, família, justiça, prudência, fé, temperança e resiliência são armas mais poderosas que a violência.
Baseado nas biografias de Katherine Johnson (Taraji P. Henson), Dorothy Vaughn (Octavia Spencer) e Mary Jackson (Janelle Monáe), o filme se passa em 1961 e mostra como estas três heroínas americanas participaram da corrida espacial e ajudaram decisivamente o país a vencer os soviéticos, superando barreiras e conquistando seu lugar de honra na história.

O tema principal do filme é a superação pela inteligência, simbolizada pelos óculos de Katherine que são ajeitados no rosto nas cenas em que ela usa seu cérebro privilegiado para resolver os problemas matemáticos mais complexos. Ela mesma diz, num momento marcante do filme, que não está na Nasa porque usa saia mas porque usa óculos.

Os personagens de Katherine, Dorothy e Mary são cuidadosamente construídos como os três pilares da retórica aristotélica. Katherine, a superdotada, é o logos, a razão, a capacidade de calcular e resolver problemas abstratos com números, equações e fórmulas matemáticas. Dorothy, a chefe, é o ethos, a ética, a norma, a ordem e a harmonia em busca do bem comum. Mary, jovem, vibrante e impetuosa, é o pathos, o sentimento, a emoção e a energia.

É aí pra mim a grande sacada do filme. Cheio de momentos engraçados e outros nem tanto, como a cena do “colored restrooms”, mas ainda com um fecho de cena que enche os olhos de qualquer espectador.

Que as feministas não me levem a mal. No tocante à luta de igualdade de direitos, sou um homem-feminista ou feministo como estão chamando os neologistas atuais. O que me incomoda é a forma com que muitas vezes essa luta se dá. Cheia de extremismos e ideologias que não cabem no grito do mundo atual.

O que prova o que estou aqui escrevendo é que existe uma linha do feminismo que é o femismo, ou seja, que as fêmeas tem superioridade e não precisam de “macho” pra nada. O que acho uma falácia. Porque, pensem comigo, se o feminismo é legal e o femismo é o extremo, podemos afirmar que o machismo seja o extremo e que o machiNIsmo seria legal. NÃO! MIL VEZES NÃO!

Qualquer extremo é maléfico.

Temos que lutar por uma condição melhor, sem extremos, sem xiitismo dos dois lados. Temos que nos lembrar de que o homem é tão dependente da mulher quanto a mulher é do homem. Dois convivendo bem e se respeitando. Como indivíduos, como casal ou como par. O que importa é que a “misericórdia triunfe sobre o juízo”.

Um abraço e até mais.

    Você sabia que o OqueRola está no Instagram, Facebook e no Twitter? Siga-nos por lá.