Eu entendo o cochilo do Meirelles

Um sentimento de solidariedade me inundou por inteiro quando vi a foto de Henrique Meirelles cochilando durante uma fala qualquer de Michel Temer. O Tribunal do "Feicibuqui" ficou em êxtase, a foto teve incontáveis compartilhamentos e a zoeira tomou conta.

Resultado de imagem para Henrique Meirelles cochilandoNão fiz parte dessa histeria coletiva. Veja só onde vocês me fizeram chegar: ficar ao lado do ministro da Fazenda. A solidariedade me colocou em tal posição. Eu só pensava: se estivesse lá, faria o mesmo com os olhinhos cerrados.

Já perdi as contas das vezes em que dormi em situações constrangedoras. Tenho até vergonha de citar algumas delas. Por isso, vou deixar que sua imaginação passeie um pouco pelas hipóteses. O que definitivamente não sei se é uma boa ideia.

Nada, insisto, nada é mais forte que meu sono. Eu posso estar interessado no assunto, me divertindo na ocasião, consciente da necessidade de me concentrar, querendo mesmo focar. A garota pode estar a fim, o Goiás pode estar ganhando, a história pode estar envolvente.

Se meu sono vier, não há muito o que fazer senão seguir o exemplo de Meirelles.

Acho cochilo uma palavra que traz uma carga simbólica meio pesada para o ato. Cochilo é muito perto do vacilo. “Cochilou o cachimbo cai”.

“A zaga cochilou e o atacante marcou”. Para o ato de dormir em locais não apropriados prefiro a expressão “dar uma descansada”. Acho mais precisa na definição do que é a essência daquela fechada de olhos e encostada na cadeira.

Se já não consigo me controlar em situações divertidas, imagine em uma fala recheada de mesóclises e mentiras? Meirelles não merece críticas, não por isso, ao menos. Ele merece um abraço. Dormir foi o ato de resistência supremo à chatice da fala presidencial.

Deveríamos seguir o exemplo e estipular tal ato como uma afronta pacífica à chatice que nos circunda diariamente. Imbuídos do espírito de Gandhi em sua resistência ao colonialismo britânico, iríamos fechar os olhos e dar uma descansada a cada ato chato ao nosso redor. O problema seria ficar acordado mais que quatro horas diárias...

Agora, uma dúvida: será que o próprio Meirelles não dorme quando começa ele próprio com seu papo horrendo da necessidade de mais impostos sangrando nossos bolsos? Tenho a impressão que não.

O êxtase do garoto de ouro do tal “mercado” é tamanho que é mais fácil um orgasmo do que um cochilo quando o assunto é tungar nosso escasso dinheirinho.

 

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