FOFÃO E A VINGANÇA DOS PUNHAIS

A briga contra o câncer havia sido dura demais. Como diria o replicante, todo mundo vai embora. Pelo menos o Nobel para Dylan havia lhe dado algum alento. Hora de partir. Expirou. (E, na Fofolândia, as nuvens ficaram vermelhas como rubi.)

Ao mesmo tempo, algo acontece na América do Sul. No Brasil, para ser mais exato. Uma estranha luz brilha nos olhos dos milhares de bonecos do Fofão ainda existentes, largados por aí. Velhos, empoeirados, sujos, rasgados. Encostados há décadas.

Lentamente, cada um deles começa a ensejar movimento, adquirir estado animado. Uma bizarra marcha de brinquedos desconjuntados. Saindo de cada quarto, despensa, armário, buraco. Mofo em movimento. Rumo a Brasília.

A marcha dos Fofões se transforma em fenômeno midiático. Pastores confirmam histericamente a chegada do apocalipse – ou seria após-Calypso? Programas sensacionalistas passam horas e horas acompanhando a peregrinação. Megacorporações do ramo do entretenimento brigam pelos direitos de imagem.

Naqueles primeiros dias, as pessoas acompanharam tudo com temor e assombro. Agora, era apenas um espetáculo banal e inofensivo.

Foram meses de caminhada. Todo e qualquer Fofão convergindo para o mesmo ponto: Plano Piloto, Capital Federal.

Mesmo após a morte do Lula, o impostor permanecia sem um pingo de respeito por parte da população. Não que ele merecesse – ou fosse necessário. Muito pelo contrário. Mas sabe como é... Se o povo o respeitasse de alguma forma, seria mais um facilitador para os 241 esquemas armados.

Ciente da marcha dos Fofões (e de toda a atenção voltada ao fenômeno), o golpista vampiresco – para não perdermos o lugar comum – anuncia uma festiva recepção para aqueles seres que, nos últimos tempos, foram o principal assunto do país.

Salão nababesco. O velhote tá acostumado com isso. Exercer a pilantragem de modo tão canalha é algo a se admirar. Caviar e champagne rolando solto. De repente, o sinal da chegada. O Governo Brasileiro finalmente receberia de braços abertos milhares de Fofões.

Um Fofão, todos os Fofões, diante do impostor.

Olhos vítreos, sem pupila. Retorcem o pescoço, como se quisessem arrancar a cabeça do próprio corpo. Políticos se afastam, recuam. Os mais covardes – são muitos! – fogem do recinto.

As cabeças de todos os sinistros bonecos destacam-se do corpo. Flutuam de modo fantasmagórico... e revelam pontiagudas estacas de metal! Punhais, em última instância.

Esta é a cena: suspensos no ar, milhares de punhais atrelados às horripilantes cabeças de Fofão. O medo crescente eletriza o ar do recinto.

Súbito, um Fofão cruza a sala e atinge o pescoço do traidor. Gritaria generalizada.

Os Fofões-adaga voam como flechas vingadoras na direção dos presentes: executivo, legislativo, judiciário. Brasil miserável.

Sangue pra todo lado.

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