Goiânia precisa de mais radares para multar os irresponsáveis

Não vou dourar a pílula: sem multas a rodo, não há como ter um trânsito mais civilizado em Goiânia. Não adianta campanha de conscientização, não adianta sinalização novinha, não adianta orientação. A triste realidade é que só vamos ter números mais baixos de óbitos e acidentes graves nas ruas da cidade quando mais e mais infrações forem punidas com uma dolorosa multa no bolso do motorista.

Por isso que é tão importante a instalação das câmeras de fiscalização em toda cidade. Parabéns à Secretaria Municipal de Trânsito, Transporte e Mobilidade (SMT), de gestão municipal, que procurou a Secretaria de Segurança Pública e Administração Penitenciária (SSPAP), de âmbito estadual, para estabelecer um convênio que viabiliza que o equipamento de monitoramento de segurança seja também utilizado para fiscalização do trânsito.

A ação conjunta e coordenadas de entes públicos de esferas distintas tem que ser mais rotineira, otimizando o trabalho para todos em prol da sociedade. Bola dentro total.

Já fui mais esperançoso em ações para despertar da consciência cidadã no goianiense. Os anos e os fios brancos que apontam na cabeça e na barba mataram esse sentimento. Atualmente, só acredito na repressão pesada por meio de altas multas para mudanças de hábito ao volante.

O papinho da indústria da multa é uma das maiores falácias que já ouvi. Discursinho furado que cai muito bem aos ouvidos da classe média que não quer respeitar as regras de convivência nas ruas. Porém, a tal da indústria da multa não encontra suporte na realidade. Quem tem um pingo de discernimento e anda pelas ruas da cidade sabe que temos uma estruturadíssima indústria da infração. Punimos muito pouco quem erra rotineiramente pelas ruas.

Proponho a você um teste, nobre leitor: contabilize quantas infrações de trânsito você presencia ao fazer seu deslocamento rotineiro. No dia seguinte, conte quantos equipamentos de fiscalização ou agentes de trânsito viu no mesmo trajeto. A distância entre as duas contagens certamente saltará aos olhos.

Sou a favor da redução geral da velocidade na cidade e implementação de fiscalização eletrônica em todos os pontos possíveis. A Marginal Botafogo tem que ter seu limite reduzido para 60 quilômetros por hora e as autoridades competentes devem instalar uma câmera a cada quilômetro. A mesma coisa na Perimetral e outras vias que permitem mais velocidade e, por conseguinte, registram os acidentes mais violentos.

Os números da carnificina que anestesiados vemos e sequer nos causa indignação dão fundamento de sobra para esse posicionamento.

Nosso olhar não pode ser insensível quando vemos um motoqueiro no chão, quando passamos por um capotamento, quando vemos um pedestre estirado no chão com o furgão do IML ao lado. Somente mais fiscalização com multa pesada vai mudar esse cenário.

Sei que os devotos do carro vão chiar. Tudo certo. Não tenho medo de escolher lado. Não sou tucano para ficar em cima do muro. Se é para optar entre a vida de alguém e o direito de outro motorista correr pelas ruas, não hesito em ficar com a primeira opção.

    Você sabia que o OqueRola está no Instagram, Facebook e no Twitter? Siga-nos por lá.