Gula (êita pecado bom!)

Que me desculpem os que estão de regime, mas hoje o assunto vai ser engordativo. Nada de pão integral ou carne de soja. Hoje vai ser de 10.000 calorias para cima. Caso você não queira passar tentação é melhor não ler o que se segue. Desde que adentrei as mídias sociais (twitter, finado orkut, facebook, instagram), tenho postado acepipes de maior ou menor grandeza gastronômica acompanhados dos bebes (esses deixarei para uma outra crônica). Confesso ser um dos meus vícios. Comer e beber. Às vezes sofro retaliações pelas postagens, mas na maioria das vezes, os amigos parecem gostar e se identificam com a loucura culinária da minha vida. Primeiramente quero esclarecer que não me empanturro com tudo que posto. Principalmente com os doces. Os que convivem comigo mais de perto sabem que sou de comer pouco. Aliás, um hábito que adquiri por gostar em demasia de comer. Comendo pouco eu consigo desfrutar uma maior variedade de guloseimas. Por isso resolvi escrever essa crônica de hoje. Despretensiosamente. Pretendo listar algumas comidas que de uma forma ou outra marcam por um detalhe, localidade ou mesmo apego sentimental. Por isso não busquem nexo nos dizeres abaixo. Sugiro que fechem os olhos e tentem imaginar o sabor. E vamos logo com isso que já estou ficando com fome.

Estava eu indo para Anápolis-GO uns tempos atrás quando um amigo me falou que comprasse um requeijão na barraca da Vovó Onízia. A princípio pode parecer comum, mas ele usou as palavras mágicas: “o melhor requeijão do Brasil”. Isso para um glutão soa como sino. Apressei todo o meu compromisso para conseguir passar na tal barraca. E querem saber? O melhor requeijão que já comi na vida. Quando passarem por Teresópolis de Goiás, não hesitem. Derrete na boca. E para massacrar, acrescentem uma colherzinha de açúcar. Nem cachorro come. Acompanha um café de bule.

Nessa toada, digo e afirmo que o melhor pastel que já comi na vida, foi o de palmito da feira da praça do colégio Ipê no Setor Bueno em Goiânia. Coisa de estudante de engenharia que aos sábados tem que curar a ressaca. Divino. Daqueles que se come em pé colocando aquela salada de repolho e tomate dentro. Mas chegue cedo. Os de palmito são os primeiros a acabar.

Continuando nos fritos, tem um que é impagável. Disco de carne apimentado da Tia Joana. Onde? Claudinápolis de Goiás (antigo Ruibarbo). A gordura chega escove pelos dedos. Coma com uma coca gelada do lado. De vez em quando eles erram na pimenta, o que fica melhor ainda.

Falar em pimenta... se você ainda não comeu o bolinho de bacalhau do Obelisque, não sei não. Algo de errado há com sua pessoa. O bar fica no Setor Coimbra em Goiânia tem umas boas décadas. E não venha me dizer que não gosta de bacalhau. Para comer o bolinho preparado pela mãe (portuguesa com certeza) do Adolfinho, não precisa ser fã do peixe salgado. Basta mergulhá-lo no molho que acompanha e mandar ver. Onde está a pimenta? Tabasco básico. Completa que é uma beleza. Não se esqueça da cerveja gelada no copo de boteco. Necessária.

Um pouco mais longe, encontramos a melhor lingüiça do mundo. Onde? Barraca do Queijo em Porangatu! É em Goiás mesmo. Na beira da BR-153. A barraquinha é modesta, mas você identificará de longe pela quantidade de carros e caminhões parados na porta. Pensa nuns embutidos gostosos! Ficam ali dependurados na cara do freguês. É só escolher o preferido e o atendente corta um naco e serve com pão. Se valer a dica, experimente o seu pedaço de lingüiça com queijo derretido e dentro de um pão de queijo. Rapaz... ah! Não se esqueça de levar uns para casa. Depois você vai sonhar com os embutidos e não terá como satisfazer sua vontade.

E fechando os gordurosos, não poderia me esquecer da esfirra de carne do Esfirra Quente. Ali no mesmo lugar de sempre. Rua 4 quase esquina com a Goiás no centro da capital goiana. Difícil estacionar. Difícil se sentar. Difícil comer somente uma. Difícil não levar meia dúzia para casa. Se o buchinho agüentar, acompanhe com uma vitamina à moda da casa (daquela vermelha de beterraba).

Para não dizer que não falei dos doces, sugiro passar ali no Doce Café na Rua 9 em frente à praça do sol na mesma capital. O lugar é um charme. Parece aquelas coisas bem mineirinhas mesmo. Compre uma broa de fubá. Leve para casa. Abra a mesma e coloque uma porção generosa de doce de leite (pode ser Zebu mesmo). Salpique com canela em pó e leve ao forno para gratinar. Sirva acompanhada de uma bola de sorvete de creme. Não divida com ninguém que dá azar. Matei uma meia dúzia de mulheres agora não foi não?!? Melhor parar por aqui.

Logicamente que não falei de todos os acepipes que gostaria (isso provavelmente daria um livro), mas creio que servem para que possamos trocar idéias de como a vida pode ser gostosa com coisas simples. Basta que tenhamos o olhar apurado para enxergarmos as qualidades onde elas menos aparentam estar. Muitas vezes não conseguimos juntar todas as qualidades em uma coisa só, mas podemos ressaltar aquilo que nos foi precioso. Seja o atendimento cortês, a qualidade do produto, a memória afetiva ou um estado de espírito. Ser feliz com pequenas porções de felicidade. Penso que seja um segredo.

E a sua comidinha perfeita? Qual é? Larga de ser amarrado! Conta aê!

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