Leo Jaime tem muito a ensinar a nova geração da música brasileira

Lillian Bento

Do tempo de João Penca e seus Miquinhos Amestrados até hoje Leo Jaime passou por muitas reviravoltas na carreira. O ator, cantor e jornalista  tem 57 anos e fez muito sucesso na década de 1980 com hits que fizeram sucesso nas rádios do Brasil, além das trilhas sonoras de novelas e filmes.

Como ator ele atuou na novela Bebê  a Bordo, de 1988, no filme O Escorpião Escarlate, Rádio Pirata e A sete vampiras. Não conheço ninguém com mais de 30 que não saiba cantar: "Um dia gatinha manhosa eu prendo você no meu coração..." ou "Eu preciso dizer que te amo, te ganhar ou perder sem engano...".

Que Leo Jaime é parte da formação musical de boa parte da população brasileira com mais de 30 é um fato. O que quero dizer aqui é que faltando três anos para chegar aos 60 anos, esse goiano que conquistou o Brasil tem muito a te ensinar, jovem artista brasileiro no que diz respeito a saber aproveitar a vida, olhar para o passado sem deixar de se entregar ao presente.

Falo isso porque na  última edição do Flamboyant in concert, no dia 29 de agosto, Leo Jaime comandou o palco ao lado de ninguém menos que o Tremendão, Erasmo Carlos. E preciso dizer que o gigante não foi o ex-parceiro de Roberto Carlos, mas Leo. Com um entusiasmo único e o uma sinceridade sarcástica, ele está radiante nessa nova fase da carreira e quem foi ao show esperando ver o brilho do Tremendão encontrou ainda os encantos do agora Leo Guanabara Jaime.

Leo Guanabara

Entre um sucesso e outro, Leo Jaime falou sobre a alegria de voltar a tocar em Goiânia e sobre ter vencido o bloqueio criativo  e retomado o trabalho como compositor depois de longos anos de silêncio. Ele lembrou que neste período em que não conseguia compor aproveitou para refletir sobre o que o estimulava a compor antes, quando sua produção era intensa, e chegou até um momento da carreira em que compunha por "brincadeira".

Como quando tocava com o pessoal dos "Miquinhos" e não tinha um objetivo além de diversão e nas relações de amizade. Esse retorno ao passado levou Léo a pensar um show em que contasse sobre sua origem, o que o tornou conhecido, os perrengues que passou, mas sem  assumir uma postura saudosista.

Ao contrário, no show ele mostra toda sua entrega ao presente e afirma: o melhor ainda está por vir. "Tenho certeza que minha vida é melhor hoje do que naquela época e em vários aspectos, menos no físico", diz gargalhando. Esse olhar ao passado fez com que o artista resgatasse seu primeiro nome artístico: Leo Guanabara e assim se apresenta como Leo Guanabara Jaime.

Tremendão

Quem foi ao Flamboyant in concert para assistir Erasmo Carlos saiu dali feliz, acredito eu. Não pelo desempenho do Tremendão, que fez uma pequena participação, mas por ter sentido a vibração e a energia do goiano Leo Jaime. É claro que Erasmo não decepcionou.

Com mais de 50 anos de carreira ele colocou o público de Goiânia para soltar a voz cantando hits famosos como "Gatinha Manhosa", "Mesmo que seja eu" e "Pode vir quente que eu estou fervendo". Os dois mostraram bastante intimidade no palco o que transmitia uma sensação de aconchego.

E, claro, o bom humor de Leo Jaime sobressaiu: "Eu sugiro que vocês bebam, mas bebam muito porque quando vocês bebem eu me torno um cantor muito melhor", disse levando o público às gargalhadas. Saí do show pensando: a juventude tem muito a aprender com a entrega de artistas como Leo Jaime, com a energia que ele lança do palco e que contagia a todos.

Mais do que uma carreira baseada em fazer sucesso, ele demonstra o interesse em aproveitar a vida e fazer da arte o combustível que o impulsiona a viver. Em tempos de artistas absolutamente mercadológicos surgindo no cenário brasileiro assistir ao show de Leo Guanabara Jaime foi um bálsamo para meu coração.

Sentir a entrega do compositor à música me levou a uma entrega plena ao momento. Saí dali ecoando a vibração emanada por Leo Jaime e com vontade de dizer ao mundo: inspire-se em artistas como Leo Jaime. Goste do que gostar quando se trata de música brasileira, mas não deixe de ouvir esse goiano que, para mim, representa muito bem a terrinha. Gracias, Guanabara!

*Lillian Bento é jornalista e editora do portal O Que Rola.

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Créditos: Lillian Bento

   

 

 

 

 

 

 

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