O incrível (gasto de) Huck

Dias desses atrás fora revelada uma suposta fatura do cartão de crédito, provável montagem, do Luciano Huck. Gastos superando 281 mil reais em um único mês. A revolta de algumas muitas pessoas em redes sociais revela muito da nossa sociedade. Convém que discutamos aqui e reflitamos sobre o que estamos vivendo.

Se a fatura é falsa ou não, se o casal Huck gasta isso ou não todos os meses e até mais como revela o saldo pago da fatura anterior não é o motivo de eu estar escrevendo isso aqui. Mas o que quero trazer à tona é a pergunta: e daí se ela for verdadeira?

Os programas do Luciano e Angélica não são as coisas mais interessantes do mundo. É verdade. Mas até onde sei, ele não enganou nem roubou ninguém pra fazer sua fortuna. Se é bem pago pela Globo e pelo merchandising que faz, é porque os anunciantes e a emissora concluíram que ele dá um retorno financeiro muito maior que o investimento feito nele.

Outro ramo de negócio do Luciano é o site de compras coletivas Peixe Urbano, o qual ajuda os consumidores a comprarem mais barato e as empresas a aumentarem o volume de venda, consequentemente lucrarem mais. Ou seja, nesse ramo de negócio ele gera riqueza e consumo. Não tomou de ninguém.

Caso ele gaste 281 mil reais por mês, todos os meses, sem parar ou diminuir, ele levaria 18 anos pra gastar os 61 milhões de reais que a Operação Lava Jato bloqueou das contas de Palloci. Ou ainda levaria 1780 anos pra gastar os 6 bilhões de prejuízo da Petrobras . Engraçado que muita gente se revoltou com a riqueza do Huck e acha normal a fortuna de Palloci, fruto provável de propinas e negociatas com dinheiro público.

Economistas keynesianos defendem políticas macroeconômicas de investimento alegando que com isso incentivam o consumo, geram empregos e aumentam a arrecadação. Isso é exatamente o que ele faz ao gastar em um mês com o equivalente a um pequeno apartamento. E o melhor: como o dinheiro é dele, não tem o risco de gerar uma bolha de consumo. Coisa esta que o Brasil está pagando caro pra se livrar, mas isso é assunto pra outro artigo.

Alguém ainda argumenta que Luciano deveria doar aos pobres aquele dinheiro. Como se fosse obrigação dele. Como se ser rico no Brasil fosse pecado. Não se sabe se ele tem programas assistenciais, ou se ele doa a alguma instituição de caridade. Mas não há problema em torrar no consumo. Quando se gasta dinheiro, premia-se a criatividade, estimula-se o trabalho e gera lucro e riqueza pro país. Dá força ao círculo virtuoso da economia.

Pode reclamar que ele é antipático, que ele é falso, que ele é de família rica. Pode ainda gostar, ser fã, elogiar, achar que ele é um excelente pai de família. Todas as pessoas que se expõem estão dispostas a se submeterem ao escrutínio popular. Quando se é uma pessoa pública, sua vida está exposta em televisão, revistas e jornais. Esse é o preço da fama. Esse sim pode se discutir. Mas aquele preço, o quanto ele gasta ou consome – NÃO!!

Aos críticos fica no ar a pergunta: Se tivessem o mesmo nível de riqueza, fariam aquilo que condenam? Ou fariam aquilo que pregam?

Um abraço e até mais...

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