Ok, você está certo – ou O encontro com o reaça

O pensador Umberto Eco, grande estudioso de comunicação e que morreu recentemente, disse certa vez que o maior efeito colateral das redes sociais foi ampliar exponencialmente a voz dos imbecis.

São palavras duras, mas verdadeiras, nada exageradas. A estultice nunca teve religião, cor, raça, gênero, orientação sexual ou ideologia política; surge de todos os lados, até dentro da sua casa.

Mas os estultos e outras espécies de gente de cabeça curta hoje encontraram-se via web. Fortalecidos pela união de seus pensamentos tortos – sim a união faz a força sempre, inclusive a força do mal –, eles passaram a produzir conteúdo. Pior: muita gente nem tão “cabeça curta” aderiu, simplesmente por revolta ou protesto.

O resultado é que temos hoje à solta por aí ideias tão loucas que parecem feitas para um programa de humor satírico ou pauta para o Sensacionalista: gente que acha que os militares precisam voltar ao poder, gente que considera razoável a ideia de haver salvo-conduto para matar pessoas, gente que quer controlar o afeto dos demais, gente que acha um indivíduo como Donald Trump “o cara” para presidente a nação mais poderosa do mundo.

E de vez em quando a gente topa com essas pessoas. Nas ruas, no trabalho, na faculdade, no ponto de ônibus. Mas essencialmente nas redes sociais. Sua característica principal é não arredar pé do que pensam. Não dão um milímetro de concessão para a empatia, para a dialética, para o pensamento alheio.

Estão certas e pronto. Você, qualquer dia desses, talvez até hoje, talvez todo dia, vai encontrá-las. O que fazer nessa situação? As variáveis são muitas a partir daqui: depende do que você queira, depende do tempo que você tenha, depende do comprimento do seu estopim. Depende, enfim. Uma coisa, porém, é importante: ao entrar em uma discussão dessas que seja presenciada por outras pessoas, nunca saia sem contrapor seu pensamento.

É que, se o sujeito vai continuar com suas ideias de jerico, o problema é dele; agora, conseguir a adesão de outras pessoas a isso a partir de uma discussão que você abriu, aí é problema seu.

Ou seja, começou, não pode parar, vá até o fim. Ou senão o perigo, no fim, é o errado parecer o certo, por aparente desistência sua. No mais, se for aquele cara que você encontra no ponto de ônibus, só vocês dois, e a conversa começa no “que calor tá hoje, hein?” e desanda para “precisa matar mesmo”, relaxa: é só falar “ok, você está certo, meu caro”. Foi só mais um reaça que passou em sua vida. Tome seu ônibus e siga.

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