Orgulho de ser da roça

Quem é de Goiás sabe a imagem que temos perante o Brasil. Não há uma viagem que façamos por outros estados em que as duplas sertanejas e a forte presença da cultura rural em nosso dia a dia não sejam motivo de pauta. Nada mais natural. Há décadas que essa é a imagem que projetamos para o restante do país. E quer saber: ela é inteiramente verdadeira.

A polêmica do Fantástico sobre Goiânia não chegou na minha bolhinha. Não assisto ao programa há tanto tempo que nem me lembro mais. Sabe como é, a prudência recomenda distância de drogas pesadas. Só fiquei sabendo que o programa dominical da Rede Globo tinha feito alguma alusão ao fato Goiânia ser uma roça quando a nobre editora aqui do O que Rola, minha amiga Lílian Bento, entrou em contato.

Fico impressionado como algo tão real da nossa cultura possa soar como algo desrespeitoso. Se você considera ser roceiro algo pejorativo, me desculpe, mas você incorporou o discurso paulistano/carioca.

Se você é goiano e se acha o cosmopolitão das galáxias, olhe para os lados, lembre seu passado. Você tem um parente que mora na zona rural, você passou momentos divertidos de sua infância em uma fazenda, sua boca saliva ao pensar em comida preparada no fogão caipira, alguém muito próximo de você frequenta baladas sertanejas.

Sim, somos todos roceiros. E não há demérito nenhum nisso. É só a nossa verdade. E nessa raiz comum reside nossa força identitária maior.

A visão estereotipada e de perspectiva limitada do programa da Globo foi criticada. Toda capital de estado periférico (é o que somos para o Brasil) sofre com isso.

Duvida? Vamos ao teste. Diga aí o que você sabe de Rio Branco, Teresina ou Vitória. Manaus, Belém ou Cuiabá. Se você não tem algum tipo de contato íntimo com alguma dessas cidades, muito dificilmente você saberá algo além dos esteriótipos. Por que seria diferente com Goiânia?

É claro que nossa cidade não é só a cultura sertaneja. Mas negar seu caráter majoritário é estar muito preso à própria bolha.

Nossa economia é movida pelo agronegócio, os shows de maior bilheteria são de artistas sertanejos, nossa culinária é calcada em elementos rurais. Se você, tal qual eu, não está inserido nesse universo, no mínimo deveria ter consciência de sua condição de minoria. Eu sei que estou longe de qualquer noção que se estabeleça do goiano médio. Saber disso é fundamental até mesmo para uma boa convivência social.

Se falam que somos roceiros, na boa, não estou nem aí. Primeiro por não ser mentira; segundo por não entender o termo com significado pejorativo. Tenho como lema de vida o que aprendi com o Rollin Chamas: sou goiano e foda-se. E, cá entre nós: lema mais roceiro, impossível.

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