Por isso é que frequento boteco "copo sujo"

Taynara Borges

Hoje acordei com uma cena bizarra. Uma galerinha bombada, phyna e elegante, Ray Ban na cara, bota até o joelho com vestidinho curto, barba feita na Coronel Moustache, montada num caminhão de desentupir fossa – uma plaquinha "LEIA A BÍBLIA" dependurada (já pensaram que pode ser um sinal?) –, rodando numa estrada de terra. De imediato pensei que era um meme qualquer. Demorei entender do que se tratava: o povo indo embora da Festa 800 – uma das festas mais caras e megalomaníacas que rolam em Goiânia –, ontem. Parece que deu ruim e não teve transporte pra todo mundo. Treta! [Pelo menos a galera não foi de carro para voltar dirigindo depois de beber todas. Ponto pra eles!]

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*Vídeos retirados do Instagram @festa800justica

Daí me lembrei de uma notícia muito horripilante que bombou na semana passada. Uma funcionária do Villa Mix de São Paulo entregou à Justiça conversas no WhatsApp em que um gerente da casa questiona “quem liberou” a entrada de um homem negro na balada. Isso mesmo! Fotografou o cara e mandou no grupo dos funcionários: “Quero saber quem liberou”. E ainda agravou: “eles pegaram mesa na pista”. O caso rendeu o afastamento da funcionária da empresa, que recorreu à Justiça, dizendo que a prática racista de barrar negros com desculpas esfarrapadas é recorrente e que a obrigavam a fazer isso. Ganhou a ação. R$ 60 mil. Se não me engano, o Villa Mix iria recorrer. Mas não tenho maiores detalhes.

Me lembrei também do Vaca Amarela, na semana retrasada. Gosto muito de shows e música é o que mais me faz sair de casa, viajar e tudo mais. Não piso em uma balada desde que voltei para Goiânia, em setembro do ano passado. [Mais por veiêra mesmo. E porque balada boa como o Metrópolis 5 anos atrás não tem mais.] E queria ver de qual era a da Pabllo Vittar. Fui. E só fiquei até o fim por motivos de Pabllo. Quanta desorganização. Arrastão dentro e fora do evento – amigos ficaram sem o celular dentro do Palácio da Música e outros sem os equipamentos de fotografia que usam para trabalhar [uma pequena fortuna] e mais alguns pertences que foram levados dos carros arrombados do lado de fora. Sem contar naquele monte de cambista na entrada. Nunca vi isso em festa alternativa! O que está acontecendo, gente? Estão gourmetizando tudo!

Não sei se eu é que estou velha ou se o povo anda dificultando demais a vida da gente, mas o fato é que minha paciência só anda dando pra frequentar boteco – leia-se boteco mesmo, lugar pequeno, que a gente chama pelo nome do dono, senta com os garçons pra beber, já sabe quem vai encontrar lá, pega a cerveja no freezer e A MELHOR PARTE escolhe a música que vai tocar. Gente, qual a justificativa para ir num lugar em que vão escolher a música que eu vou ouvir? A não ser que eu conheça bem o DJ [mesma ideia do boteco] e a festa seja temática - ou seja, vai tocar aquilo meeesmo.

E daí escolhemos – obviamente – os donos de boteco legais, não preconceituosos, divertidos, gente boa, e que mantêm a cerveja sempre beeemm gelada. E, a partir disso, presumimos que o público também tenha escolhido estar ali porque se encaixa na mesma vibe. Tá vendo o tanto que é bão? Zero chance de treta ou de surpresa ruim.

Sei não. Eu gosto muito de uma cerveja artesanal... De um espumante, de vez em quando... Mas lugar bom pra sair é boteco "copo sujo" mesmo. Minha sardinha de sábado nunca decepciona.

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