Retorno do Chorinho é tentativa de ressuscitar o Setor Central

A melhor notícia que essa seca sexta-feira de agosto reservou para Goiânia foi a volta do projeto Grande Hotel Vive o Choro. Nossa cidade precisa de atividades culturais de qualidade, abertas ao público, no meio da rua.

Ocupar com arte o que é dos carros, mesmo que uma vez por semana e em horário limitado, é sinal de resistência da cidadania perante a objetificação de nossas vidas.

Quando o projeto foi interrompido, os argumentos foram patéticos. “Tem roubo”. “Tem muita droga”. “Tem confusão”. “Atrapalha o trânsito”. “Tem até arrastão”. Um monte de bobagem.

Não estou falando que tudo é mentira. Aconteceram sim problemas graves de segurança pública durante a realização do evento. O diagnóstico de responsabilidade é que tem um equívoco monstro.

Até parece que, sem o Chorinho, a noite do Setor Central de Goiânia goza da mesma qualidade de vida da Dinamarca. Convenhamos, se somente no dia de shows na Rua 3 com a Avenida Goiás tivéssemos esses problemas, estaria bem fácil resolver a parada.

Todos os problemas citados como motivação para fim da atividade cultural gratuita não são criados pelo chorinho. Muito pelo contrário. Tudo isso está no Centro, independente de termos show no local. Arrisco dizer mais: o bairro é muito mais perigoso sem o fluxo gerado pelo chorinho.

Na verdade, a única chance de restabelecermos a vida social do Setor Central é com sua completa ocupação. E movimentações de cultura e esporte são as melhores formas de conquistarmos alguma civilidade para a região.

Frequentei o chorinho por um bom tempo. Por muitas sextas, bati ponto regularmente na histórica construção goianiense. Algumas vezes como público, outras tantas como produtor cultural. Ajudei na organização do projeto em um período. Isso me orgulha. Vivi bons momentos ali ao som de música da melhor qualidade.

Urge expandir as atividades culturais para outros pontos da cidade. Já pensou o quanto poderia ser legal termos algo rolando no Mercado Aberto da Avenida Paranaíba? E no Coreto da Praça Cívica? O espaço externo do Ginásio Rio Vermelho também poderia ser palco de inúmeras ações.

Torço para que o retorno do Chorinho seja a primeira de mais ações pelo Setor Central. Todos os dias da semana, das mais diversas linguagens culturais. Deixar que o ermo noturno ganhe o Centro, na verdade, é ofertá-lo à criminalidade.

Só a cultura salva o Setor Central. Vida longa ao Chorinho na calçada do Grande Hotel!

Foto de capa: Lillian Bento

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