Rodrigo Lagoa: Batalha do (Re)conhecimento

Goiânia é conhecida nacionalmente como a capital do sertanejo, título recebido pelo grande número de duplas que surgiram e deram os seus primeiros passos na nossa capital. Mas nem só de sertanejo vive a cultura goiana. Aqueles que defendem ou escolhem um outro movimento para representar travam várias batalhas diárias atrás do seu devido (re)conhecimento.

faroesteAtualmente um dos movimentos que mais cresce na cidade é o Hip Hop. Ficou surpreso? Pois não deveria! Criado no Bronx – Nova York na década de 70 por Afrika Bambaataa, o estilo se estabelece através de uma estrutura com quatro elementos: Mc, B-Boy, DJ e Grafiteiro.

Em Goiânia esses elementos estão cada vez mais fortes e aos poucos ocupando lugares de destaques na cena cultural. Hoje finalmente é possível encontrar uma atração local de Rap no Line Up de um festival que até pouco tempo era formado exclusivamente por bandas de rock, um Dj comandando a noite em boates que até então não nos davam voz, grafiteiros sendo contratados para cobrir com arte o muro de grandes empresas e equipes goianas de Breaking Dance se destacando em eliminatórias para campeonatos mundiais.

Mas com tudo isso citado acima, todos os espaços conquistados, o que faltaria para o movimento hip hop goiano se destacar e ganhar o reconhecimento nacional? Dentre inúmeros fatores, a resposta é simples e não chega a surpreender: falta apoio!

Falta o apoio dos empresários. Dificilmente os pequenos produtores conseguem um patrocínio para a realização de eventos e quase sempre levam prejuízos. Devido a essa dificuldade, raramente as atrações recebem cachê para se apresentarem e a estrutura é sempre precária. Essa falta de apoio reflete no trabalho como um todo, inclusive na hora de lançar um trabalho com qualidade, que é o grande objetivo de quem busca viver da música ou da arte.

Falta apoio de grandes produtores. Ao contrário do caso acima, os grandes produtores conseguem vários patrocínios, montam uma estrutura digna, trazem atrações de outras cidades pagando cachês robustos e fecham os olhos para as atrações locais. Pregam um discurso de “estamos fomentando a cultura local” mas no Line Up não tem um grupo da cidade e quando tem, é na camaradagem (sem cachê).

O que não falta é a força de vontade de todos que estão à frente deste movimento e mesmo com todas as dificuldades enfrentadas na caminhada, a Cultura Hip Hop continua conquistando cada vez mais o seu espaço. Com o devido apoio, não tenho dúvidas de que em breve teríamos grandes representantes goianos se destacando no cenário nacional e porque não, no cenário mundial.

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