Rodrigo Lagoa entrevista: M2K - Beatmaker / Produtor Musical

Dentro da Cultura Hip Hop existe um elemento que é peça fundamental nas criações musicais: o Beatmaker (Produtor Musical). Ele é o encarregado de dar o ritmo para que aquela letra deixe de ser apenas uma poesia, para se tornar uma canção. Atualmente no Brasil existem vários profissionais que vivem apenas da venda de instrumentais (Beats).

Esse mercado vem crescendo bastante em Goiânia, e mesmo que alguns ainda não encaram como profissão é possível encontrar dezenas de Beatmakers espalhados pela cidade. M2K é um dos que vem se destacando por aqui, e foi um dos grandes incentivadores para que hoje eu seja um DJ e viva apenas da música. Levando isso em consideração, o convidei para responder algumas perguntas e dar início à uma série de entrevistas que irei realizar com pessoas que vem ajudando diretamente na propagação do rap goiano.

Abaixo vocês conferem as perguntas e respostas onde o beatmaker fala um pouco sobre a sua profissão, o cenário atual, seus sonhos e também de momentos de dificuldades onde chegou a pensar em largar o rap e parar com tudo.
foto m2k
Pra começar, o que é necessário para se tornar um Beatmaker?Amor (risos). Brincadeiras à parte, é uma profissão que exige muita dedicação e persistência pra se conseguir um lugar ao sol. Sem contar que, igual aos médicos, devemos fazer estudos diários, não só pra aumentar nossa qualidade mas também para nos manter atualizados com o mercado.

Como você vê o cenário atual em Goiânia?
Pra ser sincero, esse é o nosso melhor momento! Estamos com um grande número de pessoas iniciando seus trabalhos e com alguns conquistando seu espaço no cenário nacional. Criei o Curso de Beatmaker na Casa de Música para ajudar na formação de novos talentos, lapidar e profissionalizar aqueles que estão na área. Tenho algumas ideias de eventos para movimentar o cenário local e principalmente para tentar criar um maior interesse do público sobre o nosso trabalho, afinal, sem o Beatmaker o seu rapper favorito não ia fazer aquele som que você tanto curte e acha a batida maneira. 

Com contato com rappers do país inteiro, o que você acha que falta pra emplacar de vez? Quais são seus planos?
Acho que estou no lugar que eu deveria e queria estar. Estou fazendo meu som quieto no meu canto, sendo reconhecido pelas pessoas que eu quero, fazendo minha grana sem precisar me prostituir no mercado, mas tenho algumas ambições sim. No decorrer desse ano fechei algumas parcerias que logo vão estar nas ruas e em breve tenho alguns amigos MC’s de outros estados vindo me visitar aqui no estúdio pra gente colocar em prática alguns projetos. 

Qual foi a sensação que você sentiu ao ver o vídeo em que o MV Bill elogia a sua produção no som ‘Rato que é Rato” do Fábio Beleza (confira o vídeo abaixo)
Cara foi sensacional! Quando recebi o convite pra produzir uma das faixas do Fábio eu já fiquei sem reações devido ao tamanho do seu nome e importância no cenário do rap. Quando o som foi lançado eu estava em São Paulo com o Faroeste e recebi um vídeo no Whatsapp enviado pelo Fábio, como estava sem WiFi na hora, não assisti. Cheguei no hotel, conectei, baixei e vídeo e “PÁ!”, tá lá o MV Bill elogiando minha batida. Cara eu queria gritar, tava eufórico, chamei todo mundo pra mostrar e repetia várias vezes, postei na Internet e fiquei extremamente animado, afinal era o MV Bill né chapa.



Recentemente você inaugurou o seu estúdio juntamente com a Casa de Música Goiânia. Fale um pouco sobre essa sua realização e sobre o funcionamento do estúdio.
Eu sempre tive o sonho de ter um estúdio com uma estrutura foda, preço e local acessível e claro, que proporcionasse aos clientes um som de qualidade. Eu passei muito tempo me especializando, fui pra São Paulo estudar ‘mixagem in the box’ e para Belo Horizonte estudar masterização. Quando tive a oportunidade de ter o meu estúdio, investi minha grana e apostei tudo que tinha pra criar um ambiente igual eu sonhei e que fosse agradável, que tivesse uma atmosfera propicia para criação.

Hoje estou produzindo simultaneamente os trabalhos dos grupos Clann, Fora do Habitat, Naipe Vagabundo e Pervin. Alguns outros estão em fase de pré produção, fora singles e instrumentais que tenho vendido para Mc’s espalhados pelos quatro cantos do país e recentemente até mesmo para gringos.

Tá afim de gravar um som? Cola na Casa de Música. Te garanto que você vai sair de lá com uma sensação ótima a respeito do meu trabalho e vai ver que amo o que faço e isso é o que dá o tempero especial dos sons.

Você nasceu num lugar onde o Sertanejo predomina, assim como o Funk no Rio de Janeiro. O que te levou a fazer rap?
Eu buscava liberdade, venho de um lar sertanejo (sim, daqueles de interior que puxa o R "dicomforça") e aos 16 anos descobri o rap. Comecei a estudar o gênero e a cada artista novo que eu descobria, me apaixonava mais pelo gênero que parece não ter fronteiras nem limites. Da pra fazer tudo dentro do rap irmão! Sem contar no resgate de auto estima que o rap nos proporciona, a ligação do rap com a moda, tudo isso combinado fez eu me apaixonar pelo gênero e tô aí há 7 anos, literalmente apaixonado pelo rap. Ouço rap em 95% do meu tempo.

Por um tempo você viveu crises financeiras e quase pensou em parar com o rap. Por que não parou? O que te motivava?
É uma parada tensa. Quem vive perto de mim sabe que não tenho ajuda de ninguém pra me sustentar e que ao largar tudo pra viver de rap no final de 2014 passei por poucas e boas. Mas como já disse, o resgate de auto estima que o rap nos proporciona foi o que me salvou. Quando tive que operar e o SUS não me atendeu, tive que arcar com mais de 6 mil reais de despesa. No pós operatório eu só conseguia pensar em suicídio ou abandonar a carreira. Mas recebia umas ligações, mensagens de gente ligada ao rap que admiro, ouvia uns sons e conseguia pensar em continuar. Eu costumo dizer que eu não tô no rap pra ser só mais 1, eu quero fazer história.

Com o que você trabalhava nessa época? Hoje você consegue viver só de rap?
Eu já fui auxiliar de costura, costureiro, trabalhei de auxiliar numa fábrica de sorvetes, fui entregador numa fábrica de cigarros e meu último trabalho antes de largar tudo pelo rap foi de vendedor numa loja de street wear a saudosa Bambaataa que por muito tempo também foi meu escritório. Atualmente eu vivo somente de Rap e sinto orgulho de falar isso pois 80% das pessoas diziam que seria impossível.

Pra finalizar, o que você acha da cena do rap goiano? Você acredita que ela vai se expandir pro Brasil todo nos próximos anos?
Somos um dos cenários mais fortes no quesito qualidade desde 2009. Rappers do Brasil todo admiram pelo menos 1 artista daqui. Mas não temos apoio do nosso público, afinal é como dizem: santo de casa não faz milagre. Mas creio sim que nos próximos 2 ou 3 anos devemos estar quebrando o eixo RJ SP e trazendo mais atenção pro lado de cá também.

Acompanhe os trabalhos de M2K através das redes sociais:
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