Rodrigo Lagoa: Quanto mais, pior?

Por muito tempo Goiânia foi uma cidade muito pobre culturalmente, principalmente para os adeptos da Cultura Hip Hop. Durante esse período, a juventude pouco tinha acesso aos eventos e os artistas se concentravam apenas nas periferias.

Hoje, em 2016, posso afirmar que o cenário é totalmente diferente. A Cultura Hip Hop está por todos os cantos da cidade e é possível observar centenas de jovens presentes nestes eventos, alguns, com realizações semanais.

Porém, nesse cenário atual, nem tudo são flores. Todo crescimento traz consigo vários benefícios e também vários fatores que se não souber lidar, prejudica e muito. Alguns destes fatores são: o EGO, o INDIVIDUALISMO e o sentimento de POSSE. Tudo isso em um movimento que prega acima de todas as coisas, a UNIÃO.

É difícil ter união em um movimento onde várias pessoas tem pensamentos diferentes e isso é aceitável, mas o mínimo que deveria se ter entre os produtores e artistas era RESPEITO. Infelizmente isso está longe de se ter. Em 2012 realizei o Gyn Rap Festival, um evento com 12 horas diretas com apresentações de grupos locais e de grupos de outros estados que até então não tinham se apresentado em Goiânia. Ao anunciar o evento, ao invés de receber o apoio ou ao menos o respeito de produtores locais, recebi um e-mail informando que eu seria processado por utilizar o nome de uma festa que seria deste produtor. Em anexo ao e-mail veio um flyer de um evento que segundo ele confirmava o que estava dizendo, porém, no flyer da festa não havia se quer as palavras “Gyn Rap Festival”, e claro, não cedi a pressão, fiz o evento e não sofri nenhum tipo de processo. Neste mesmo evento, outro produtor e empresário da cidade, que estava inicialmente no quadro de patrocinadores, se afastou e lançou um evento a ser realizado um dia antes do festival com uma das atrações que eu estava em negociação.
foto-textoRecentemente o alvo tem sido as Batalhas de MC’s, até mesmo pelo grande número de eventos que tem sido realizado na cidade, o que deveria ser motivo de satisfação para todos, mas infelizmente não é assim que é. Dois anos atrás, uma produtora de Goiânia que até então só tinha olhos para o Rock da cidade, resolveu fazer um evento chamado “Mortal Kombat”, com pocket shows de grupos de rap e focando nas Batalhas de MC’s. Não satisfeitos com isso, um outro produtor da cidade, com auxílio de militantes do movimento Hip Hop, lançaram um evento chamado “Street Fighter” no mesmo dia, no mesmo horário e com o mesmo molde. O resultado dessa falta de respeito foi dois eventos fracassados.

Na semana passada esse assunto voltou a estar na pauta dos fazedores de opinião. O Facebook foi palco de indiretas, onde um deles ao ver que seria realizado um evento na cidade, se achou no direito de atacar e afirmar que estavam copiando as suas ideias. Essa mesma pessoa, em um evento realizado pelo mesmo, se direcionou aos presentes pedindo para que não comparecessem na batalha que seria realizada no sábado.

O evento no sábado aconteceu, com uma boa estrutura e recebeu dois dos melhores MC’s da cidade: Criolim e Guilhermim. Ao final do evento, o balanço que foi feito é de que muitos MC’s não compareceram e que quem perdeu com tudo isso foi o Público, que não tem nada a ver com toda essa briga de EGO e essa batalha travada por produtores que não entendem que quanto mais eventos forem realizados na cidade, mais forte será o movimento.

São Paulo é indiscutivelmente o berço do rap nacional e por lá acontecem batalhas de segunda a segunda, organizadas por diferentes grupos de produtores e todas são tratadas com a mesma importância, tanto pelos organizadores, que se respeitam, quanto pelos MC’s, que em determinados dias da semana participam de duas ou mais batalhas pela cidade. Goiânia está no caminho certo, temos grandes talentos por aqui. A participação da juventude tem sido muito grande e cabe a todos os produtores educarem esse público de uma forma com que essa engrenagem chamada “Movimento Hip Hop” funcione perfeitamente.

Antigamente usávamos a desculpa de que o rap não tinha espaço na cidade e com muita luta conseguimos estes espaços. A partir daí a desculpa foi a falta de estrutura.Hoje temos espaços, estruturas e a nossa desculpa é a falta de apoio. Se nós não apoiarmos o movimento, não serão eles, os que estão do lado de lá, que irão apoiar. Deixem de lado todo esse EGO, INDIVIDUALISMO e sentimento de POSSE e passe a pensar no plural. Quanto mais, melhor!

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