Rodrigo Lagoa: A valorização do rap através dos grandes festivais

Desde 2011, quando Emicida se fez presente no Line Up da décima edição do Festival Vaca Amarela, o Rap vem ganhando espaço nos grandes festivais realizados em Goiânia. De lá pra cá, cinco anos se passaram e dezenas de atrações se apresentaram pelos diversos festivais que acontecem anualmente na capital.

Naquela ocasião, que eu costumo dizer que foi o início de uma nova era para o rap goiano, dois Mc’s locais também se apresentaram: Dyskreto e o irreverente Ivo Mamona. A partir daí, o Rap começou a ser valorizado por produtores que até então não tinham apostado no estilo e começaram a dar mais visibilidade para artistas locais, mesmo que pouca, porém foi um começo.
foto1Festival Vaca Amarela 2014 – Flora Matos, Criolo e Haikaiss (Foto: A Gambiarra)

Essa “parceria” envolvendo um festival grande com MC’s renomados e atrações locais representando a cultura hip hop, surtiu grande efeito e se expandiu bastante ao longo desses últimos anos. O que era pra ser apenas mais uma atração, acabou se valorizando tanto a ponto de se tornar headliner dos festivais.

A cada nova edição de festivais como ‘Vaca Amarela’, ‘Grito Rock’ e ‘Bananada’, se cria uma grande expectativa entre os adeptos do Rap para saber qual ou quais serão as atrações que estarão no Line Up. A certeza é: estarão bem representados.

Mas não somente esses citados que se interessaram no grande momento vivido pelo Rap, buscando agregar esse público que até poucos anos atrás era totalmente desmerecido e bastante carente de eventos. Surgiram vários eventos segmentados, sempre com duas ou mais atrações nacionais, alguns, apenas interessados no lucro, onde o espaço para atrações locais eram nulos, outros como Devassa Sessions e Heineken Monstro Rocks, apostando também nos talentos goianos e dando espaço para grupos e Mc’s mostrarem o seu valor.
foto2Festival Bananada 2016 – Planet Hemp (Foto: Pedro Margherito)

Estamos na metade deste ano de 2016 e sem medo de arriscar, podemos já dizer que esse é um dos anos mais marcantes para o cenário goiano, ao se falar de Rap. Enfim Goiânia recebeu após um grande hiato, um show do Planet Hemp (Festival Bananada 2016), o qual dispensa comentários, e de Rodrigo OGI, considerado por muitos o autor do melhor álbum de Rap lançado em 2015. Para o segundo semestre, provando que este é O ANO, Black Alien já é atração confirmada para a vigésima segunda edição do Goiânia Noise Festival. O evento também contará com B Negão e os Seletores de Frequência, além de um espaço em parceria com a Casa de Música Goiânia, onde o foco será a cultura Hip Hop.

É gratificante olhar hoje para estes eventos e ver que o Rap chegou em lugares onde jamais acreditaríamos que ele chegaria. E o melhor, em uma posição de destaque, sempre como atração principal. É bom olhar e ver que produtoras como a Fósforo Cultural, A Construtora e agora a Monstro Discos, antes acostumadas apenas com o ROCK, estão valorizando uma cultura diferente da proposta inicial de seus festivais.

Mas como um bom goiano, daqueles que pra ver tem que tocar, tem que sentir, tem que estar presente, eu ainda sinto falta de apoio para com os artistas daqui. Aqui tem muito rap de qualidade, sendo feito verdadeiramente e com profissionalismo. Visibilidade é muito bom e todos querem, sem dúvidas, mas nada se compara à reconhecimento. Melhor que se apresentar em um grande evento, é saber que você está ali em cima do palco por merecimento.

Fomos nós quem valorizamos por aqui o Rap nacional, lotando os eventos, pagando caro em ingressos, comprando produtos originais e propagando seus materiais nas redes sociais. Façamos o mesmo com as nossas crias, com os talentos de casa. Vá aos eventos, compre produtos e propague o som. Goiânia agradece!

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