Se estressar não dirija

Existe um desenho antigo da Disney que parece ser atual. Os que têm acima de 35 anos com certeza vão se lembrar. Um pacato cidadão chamado Pateta sai para trabalhar dirigindo seu automóvel e no decorrer do percurso se torna um louco facínora portando uma arma que é seu veículo. O que o desenho quis retratar foi a mudança que o stress cotidiano pode provocar no ser humano, quanto mais se tratando de trânsito. Eu particularmente, muitas vezes, me sinto o próprio personagem retratado pelo Pateta ao enfrentar as ruas da minha cidade. Pensando nisso e até como uma maneira de utilizar o leitor como divã de psicanalista, confesso abaixo as 8 situações de trânsito que mais me irritam. Segue:

 

  • Tia com SUV – Impreterivelmente elas ganham aqueles monstros de carro do marido e saem às ruas para desafiar a física. Dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço! E quando elas querem estacionar naquela vaga justa em uma via que só cabe um carro? Haja paciência. Dá vontade de descer do carro e propor ajuda-la a estacionar. Ou mandar ela comprar um Uno.

  • Motorista Pac Man – Eles acham que a faixa intermitente que divide as duas pistas da rua são comidinhas do Pac Man. Só pode. Pergunta se notam o sinal de luz de quem vem atrás? Claro que não! Estão concentrados em coletar os segmentos brancos como se acumulassem energia. Dá vontade de buzinar até acabar a bateria do carro.

  • Enxame de motos – Sabe quando você esta parado no sinaleiro imaginando acelerar quando pintar a luz verde? E ai vem um enxame de motos e estaciona na sua frente? E com certeza quando o sinal abre uma das motos apaga e o com mais certeza ainda é daquelas com ignição por pedal? Não dá vontade de acelerar o carro e passar por cima das motos como se fosse jogo de boliche?

  • Motorista de fim de semana – Eles geralmente tem aquele chevette 81 ou Volks 79. Guardam a joia rara na única garagem da casa debaixo de lona para proteger das intempéries. Só saem da garagem aos fins de semana. Permanecem à sua frente em velocidade não detectada pelo velocímetro. Andam de vidro aberto e com os braços de fora. Estão a passeio. Vontade que dá de encostar os para choques e sair empurrando.

  • Colado ao volante – Esse espécime de motorista ou tem problemas de visão ou de braço curto, porque ficar colado ao volante daquele jeito chega ser engraçado. O pior é que nessa posição, a visão periférica fica prejudicada e o condutor parece que dirige numa bolha isolada do restante dos motoristas. Sua velocidade média é quase parando. Dá vontade de passar e gritar: “aprendeu a dirigir na roça!”.

  • Seta mágica – Alguns carros saem de fábrica com seta mágica. Assim que são ligadas dão direito ao motorista de entrar sem ser questionado. Deve ser isso que pensam alguns condutores. Esquecem que dentro do trânsito existe um código de educação e conduta. Setas são indicativas e não impositivas. Vontade que dá de enfiar o carro na frente e bater de propósito.

  • Condutor legislador – Existem alguns motoristas que adoram inventar leis de transito. Ou dar interpretações próprias a algumas leis. Quem não escutou que estando na faixa da esquerda e abaixo da velocidade limite não há necessidade de dar passagem a quem vem em maior velocidade? Ou parar rapidinho só para deixar minha vó em local com placa de proibido estacionar e parar é permitido? Ou que para deixar filho em escola tem-se salvo conduto para praticar atrocidades no trânsito? Vontade de retornar com o cidadão para o banco da auto escola.

  • Prelazia de carro forte – Muita gente xinga os carros fortes por pararem em qualquer lugar sem saber que existe uma exceção no código brasileiro de trânsito para essa categoria de veículos. Mas o que muitos não sabem é que caminhão de bebidas e caminhão cegonha NÃO SÃO CARROS FORTES! Resumidamente, não tem a mesma prelazia de parar e descarregar em qualquer lugar. Dá vontade de jogar uma granada no meliante.


 

Ufa! Terminada a seção de psicanálise, respiremos no saco algumas vezes e vamos embora enfrentar o trânsito novamente. Com a conclusão que no fim das contas culminamos na velha e boa palavra que define as relações humanas: Educação. Fora isso, uma boa dose de paciência e gentileza não faz mal a ninguém. Ou isso, ou Pateta. Literalmente cara de pateta.

 

 

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