Versátil e poderosa, Fernanda Pimenta representa nova geração do teatro goiano

Por Maria Marta Presto

Conhecer os artistas deste Goiás tem sido uma experiência incrível! Viver da arte não é uma missão fácil, mas todos lutam para conquistar o reconhecimento merecido. Nesta semana tive o prazer de conhecer a atriz goiana Fernanda Pimenta que soma 14 anos de carreira. Fernanda desde pequena se identificava com novelas e filmes. Mas tudo começou quando ela, que estava meio perdida, decidiu cursar Direito na PUC Goiás (Pontifícia Universidade Católica de Goiás). Mal sabia ela, que aquele curso a deixaria tão próxima do que de fato viria a ser sua profissão.

Na universidade ela conheceu o Grupo de Teatro Guará, do diretor Samuel Baldani, que foi seu primeiro mestre. Pouco depois Fernanda estava apaixonada pela a atuação e tinha certeza da carreira que queria seguir. Comprometida com os estudos, a atriz terminou o curso de Direito e pegou sua carteira da OAB, mas nunca trabalhou na área. A partir daí ela ganhou o mundo.

Após a graduação ela seguiu para morar fora do país e quando voltou para o Brasil foi morar no Rio de Janeiro. Foi em terras cariocas que a atriz conheceu muita gente importante para a sua trajetória e fez uma participação na série '' Clandestinos - O Sonho Começou'' da Rede Globo, exibida em 2010.

Passou, ainda, cinco meses em Portugal, onde fez uma residência artística em uma pequena cidade. "Foi uma experiência muito linda, uma das mais bonitas que eu já tive na vida foi essa vivência lá em Portugal", conta.

Em 2013, ela resolveu que era hora de voltar para Goiânia e aqui as portas se abriram para ela. Foram oito meses de trabalho na capital até seguir para fazer mestrado no Instituto de Artes da Unicamp, em Campinas, no interior de São Paulo. Foram dois anos e agora ela já está de volta para a sorte do público goianiense.




A professora

Durante o tempo em que viveu em Portugal ela descobriu o poder da arte de ensinar. No Mestrado estudou um método chamado Viewpoints, que envolve treinamento, preparação e ao mesmo tempo um jogo de percepções e uma estratégia de criação de cena. Por meio da filosofia do tema estudado ela dava suas aulas para cerca de 100 adultos e 70 crianças. "Eu fiquei muito tempo focada nisso, na transmissão do conhecimento, e é fantástico!" lembra.

Paixão

A diva do teatro brasileiro Fernanda Montenegro certa vez em uma entrevista foi questionada sobre qual conselho daria a um ator iniciante e ela logo respondeu que: "Eu sempre digo: desista! Não passe perto! Saia disso! (...)  Agora, se morrer porque não está fazendo isso, se adoecer, se ficar em tal desassossego que não tem nem como dormir, aí volte, aí venha aqui, mas se não passar por esse distanciamento e pela necessidade dessas tábuas aqui, não é do ramo! Não é do ramo!"

Tais palavras marcaram muito a vida de Fernanda e desde então ela entendeu o porque de gostar tanto de teatro. "Eu nunca dei conta de tentar desistir do teatro, mas eu contava nos dedos para o curso de Direito acabar logo", diz Fernanda Pimenta. O tempo é uma das coisas mais preciosas para a atriz e ela usa esse tempo da melhor forma possível, fazendo aquilo que lhe da prazer e a motiva cada vez mais. " É tipo um vício! A gente nasce pra isso, eu não do conta de ficar sem", conta.

No teatro o companheirismo é importante e Fernanda sabe bem a importância disso tudo. A todo momento é possível perceber o quanto ela é grata aos parceiros que fez na vida e a ajudaram na trajetória dela.  "É impossível fazer teatro sozinho, o mundo é feito de parcerias e você tem q se rodear de bons amigos", afirma a atriz.

Quando se Abrem os Guarda-chuvas

Ainda no Rio de Janeiro, Fernanda juntamente com sua amiga espanhola, Elena Diego, fundaram a Farândola Teatro. Nessa mesma época surgiu o espetáculo "Quando se Abrem os Guarda-chuvas", que é um monólogo interpretado por Fernanda com direção de Elena.  Resultado de imagem para Quando se Abrem os Guarda-chuvasA peça que teve sua estréia em 2011 é uma das mais importantes da trajetória da goiana. Já foi apresentada em Goiânia, AltoParaíso, Rio de Janeiro, Aruanã, Uberlândia, Pirenópolis, Campinas, entre outras cidades brasileiras, e também em Portugal e Espanha.

O espetáculo retrata a vida de Conceição, uma senhora de 75 anos que vive, na monotonia dos dias, a lembrança de um tempo que já passou e a realidade de um presente solitário. É uma proposta para refletir sobre a solidão, a morte, a vida e sobre a vontade de viver, sobre a esperança e a expectativa de se reviver.

O monologo entra em cartaz novamente este mês. A apresentação será nos dias 17 e 18 de agosto, no Centro Cultural UFG, às 20h. Os ingressos custam R$ 20 a inteira e R$ 10 a meia. Uma ótima chance para conhecer de perto o trabalho de Fernanda Pimenta.

[caption id="attachment_186605" align="aligncenter" width="720"] Fernanda Pimenta e Rodrigo Cunha em cena no espetáculo Origens. Foto: Layza Vasconcelos[/caption]




 

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