Vida dura de goleiro

Goleiro tem a vida tão miserável que até onde joga não nasce grama. Tal sentença é uma das máximas do futebol. Impossível discordar. Lembrei da frase com a performance de ontem do goleiro Klever do Atlético Goianiense.

A reestreia do Dragão na Série A do Brasileirão não poderia ser pior. Sofrer uma goleada vexaminosa com falhas gritantes do goleiro é motivo para desanimar o mais pachequista rubro-negro dos lados da Campininha das Flores.

Como esmeraldino que sou, não tenho muito o que falar dos atleticanos – o Goiás também passou vergonha na primeira rodada da Segundona perdendo em casa para o Figueirense. Mas quero me atentar nesse texto ao quão cruel é a vida do jogador que atua debaixo das traves.

Não assisti a partida do time goiano contra o Coritiba (se não ando me dedicando muito nem mesmo ao meu time, imagine ver jogo de outros clubes), mas entrei hoje na internet para ver os melhores momentos da partida. Fiquei com vergonha alheia. Dos quatro gols paranaenses, três foram falhas de Klever. Nos dois primeiros, chamar de falha é eufemismo: vergonhosos frangos é a expressão que precisa melhor o que aconteceu.

Não sei se o cara tremeu por estar na Série A, não sei se foi um azar, não sei o que de fato aconteceu. O que não dá para aceitar é que em posição tão nevrálgica o time goiano tenha um jogador não confiável.

E esse é a cruz dos goleiros: todos jogadores erram. O atacante perde gol imperdível, o zagueiro falha na saída de jogo, o lateral cruza bolas que saem do outro lado do campo, o meio-campista erra passes de três metros de distância. Caso essas falhas não sejam a raiz de um gol do adversário, são diluídas na percepção do público. Acabam não sendo determinantes para o resultado negativo. Com o goleiro, não existe essa possibilidade. A chance de um vacilo do arqueiro resultar em gol do oponente é muito alta. E isso determina o resultado da partida.

Voltando ao caso do Atlético Goianiense, o mau resultado de ontem não sela o futuro da equipe na principal competição nacional. Novamente falando como esmeraldino, preciso recordar o último ano que o Goiás deu orgulho no Brasileirão. Em 2013, iniciamos o campeonato sofrendo uma vexatória goleada de 5 a 0 para o Cruzeiro jogando em Minas Gerais. Inclusive, esse foi o último jogo de Harlei como goleiro titular do Goiás. Mesmo com a broxada na última rodada que foi a derrota para o Santos no Serra Dourada que tirou do time da Serrinha a chance de disputar a Libertadores da América pela segunda vez na história, a goleada sofrida na primeira partida do certame não comprometeu a equipe no restante do torneio.

Cabe agora ao comando atleticano avaliar se Klever tem condições técnicas e psicológicas de seguir adiante como titular rubro-negro ou se vai para o banco de reserva. Situação delicada para Marcelo Cabo. E com um desafio pesado pela frente: encarar o Flamengo duas vezes no Serra Dourada, uma pelo Brasileirão e outra pelo jogo de volta da Copa do Brasil.

Pergunta aos leitores atleticanos: se você fosse o técnico do Dragão, o que faria?

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