Aline Mil: É preciso falar sobre abrigos para animais

Publicado em 02.06.2016


Há três anos faço parte de um grupo de voluntários que mantém um abrigo para gatos aqui em Goiânia, o Projeto Viva Gato. Antes de entrar para o VG, eu já tinha gatos, já havia resgatados bichanos na rua e também já lidava com os preconceitos em relação ao animal. Mas não fazia ideia dos perrengues que esses locais enfrentam. E a lista é grande!

Quase todos os dias um abrigo recebe pedidos de resgate. Mensagens do tipo: “Oi, tem um gato passando fome aqui na esquina da minha casa, que dó, venham buscar!” Mas o que as pessoas não imaginam é que voluntários não são resgatadores profissionais. Um abrigo não é um quartel de bombeiros que está 24h de prontidão à espera de um pedido de ajuda para cães e gatos, com todo aparato e disponibilidade.

Aí a pessoa rebate dizendo: “Mas como assim não podem vir aqui buscar? Não é isso que vocês fazem? Se vocês não catam gato e cachorro de rua, pra quê servem?”

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Em primeiro lugar, abrigo não é carrocinha para sair “catando” os bichos. O que rola na verdade é um grupo de pessoas que se reúne para manter e cuidar de animais que eles resgataram e que ainda não encontraram um lar adequado, apenas isso.
Ninguém recebe um tostão para estar ali e mais de 90% desses lugares não têm qualquer tipo de ajuda do poder público, já que poucos são formalizados como ONGs ou Associações.

Todos os voluntários de abrigos têm empregos, estudam, lavam roupa, pagam contas, chegam cansados em casa no fim do dia. A diferença é que eles se propuseram a ajudar animais abandonados e o fazem como podem. Por quê? Simplesmente por acharem importante. E o que ganham com isso? Ronronados e lambidas de agradecimento.

Transferindo responsabilidade 
Importante lembrar que não é porque essas pessoas estão dispostas a esse serviço voluntário que você deva transferir sua responsabilidade para elas. Muitos não entendem por que o endereço dos abrigos não é divulgado publicamente, mas a resposta é bem simples: abandono. Ninhadas e mais ninhadas de gatos e cachorros são deixadas na porta de abrigos todos os meses. (Isso porque a prática é considerada crime no Brasil. Imagina se não fosse!)

Basta um pouco de bom senso para pensar os motivos pelos quais você não pode cuidar daquele animal. Dinheiro, tempo, vontade? E o que te faz crer que outra pessoa tem essa disponibilidade? Se para você é difícil cuidar de um gatinho, imagine então cuidar de dezenas deles? A matemática é fácil, mas muitas vezes a conta não fecha e o que mais vemos são abrigos endividados.

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Como contribuir
Quer ajudar um abrigo? Oba! Existem várias formas de fazer isso. A primeira delas é compartilhando os pedidos de ajuda e adoção em suas redes sociais e entre amigos e familiares. Você também pode ajudar doando dinheiro, ração, patês, medicamentos, caixas de papelão, produtos de limpeza, brinquedos e toalhas, por exemplo. Está totalmente sem grana?
Doe tempo! Uma tarde afofando os animais, brincando e ajudando na limpeza já faz uma enorme diferença.

No Projeto Viva Gato, por exemplo, todo sábado é dia de visitas! É só agendar pelo e-mail [email protected].

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*Tem alguma sugestão de tema para a coluna? Deixe um comentário ou envie um e-mail para [email protected]

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Aline Mil

Jornalista formada pela Universidade Federal de Goiás. Já trabalhou em impresso, rádio, tv, mas gosta mesmo é de internet. Apaixonada por animais, é voluntária no Projeto Viva Gato em Goiânia - textos novos todas as quintas

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