Festival reúne cinema e gastronomia em Pirenópolis

Publicado em 10.08.2017


Uma proposta única de aliar a exibição de filmes inéditos (em grande parte já exibidos em festivais de prestígiocomo San Sebastián e Berlinale) à reflexão de temas contemporâneos urgentes. Esse é o mote do Slow Filme, festival que volta a Pirenópolis no próximo mês de setembro com a proposta de unir produção cinematográfica, gastronomia, sustentabilidade e cultura local.

Uma produção da brasiliense Objeto Sim, o 8º SLOW FILME – FESTIVAL INTERNACIONAL DE CINEMA, ALIMENTAÇÃO E CULTURA LOCAL ocorre no Cine Pireneus entre os dias 14 e 17 do mês que vem. Serão quatro dias de exibição de filmes, palestras, oficinas e degustações com especialistas, realizadores e chefs. Pela tela do festival vão passar títulos que revelam como a intolerância separa e como a comida é capaz de unir os povos. A curadoria é do cineasta e crítico Sérgio Moriconi.

Nesta edição, o Slow Filme exibirá cerca de 20 filmes, entre longas, médias e curtas-metragens, de ficção, animação e documentários. Em 2017, o festival vai se concentrar no tema das diásporas contemporâneas. Desde o primeiro título a ser projetado – Walachai – até os episódios da série The Perennial Plates e o longa-metragem de produção espanhola The Turkish Way, o festival quer reforçar a importância do respeito à diversidade, afirmar a relevância da cultura para a formação da identidade dos povos, ressaltar o conhecimento como ferramenta essencial para uma compreensão maior da complexidade do mundo.

O Slow Filme é uma realização da Objeto Sim Projetos Culturais, produtora cultural sediada em Brasília, com apoio da Prefeitura e da Secretaria de Cultura de Pirenópolis.

Programação

Em 2017, Slow Filme quer apostar na informação como motor para o reconhecimento, na educação como fonte de mudança, na reverência ao conceito de identidade. Através da gastronomia, os filmes reconstroem trajetórias de vida de indivíduos e de nações.

A opção por falar de identidade está presente na produção brasileira Walachai, da diretora Rejane Zilles. O documentário registra a vida de um povoado rural do sul do Brasil, onde os moradores se comunicam em dialeto alemão, mas se identificam como brasileiros. Após a exibição, a diretora conversará com a plateia. O público ainda será convidado a experimentar a cerveja Santa Dica, fabricada artesanalmente na cidade de Pirenópolis.

A programação segue com títulos como o argentino Tudo sobre o assado, de Gastón Duprat e Mariano Cohn que, com ironia e longe do politicamente correto, promove uma viagem à Argentina profunda para apresentar o churrasco como comida que identifica o país, desde seus aspectos rituais e rurais até o refinamento da cozinha contemporânea. Exibirá também a bem humorada produção italiana Quando a Itália comia em branco e preto e o inédito documentário francês A horta do meu avô.

A grade inclui ainda o australiano Faça homus, não faça a guerra, de Trevor Graham, que mostra como o amor a uma comida – o homus – une povos que vivem em guerra constante no Oriente Médio. Após a exibição, haverá uma conversa com Maria Conceição Oliveira, representante do projeto Comida de (I)migrante, de São Paulo, para revelar o trabalho junto a populações de migrantes, imigrantes e refugiados. “Vou falar da Diáspora nas panelas”, revela Maria Conceição, acrescentando “da experiência de ouvir relatos de vida, guerra e renascimento de nossas cozinheiras refugiadas e imigrantes, falar da aventura humana e suas trajetórias, e da memória que atravessa continentes e se soma à nossa”.

O encontro depois da sessão também terá uma degustação de homus especialmente preparado por Yasmin e Ammar Abou Nabout, refugiados sírios que estão vivendo em Brasília e de petiscos típicos da Costa do Marfim, produzidos durante oficina que a cozinheira Fatoumata Aboua vai ministrar na UEG – Universidade Estadual de Goiás. Tanto o casal Yasmin e Ammar quanto Fatou sobrevivem no País graças à culinária. Eles também conversarão com a plateia, revelando um pouco de suas experiências.

De Trevor Graham, a programação apresenta ainda Senhor Maionese, sobre as façanhas de Georges Mora na Resistência Francesa ao Nazismo, durante a Segunda Guerra Mundial, quando, com a ajuda do lendário mímico Marcel Marceau, salvou milhares de vidas de judeus enchendo de documentos secretos da Resistência baguetes com maionese garlicky, que os guardas nazistas se recusavam a tocar.

O espanhol Sagardoa Bidegile – Histórias de Sidra, 2015, apresenta o trabalho da diretora Bego Zubia Gallastegi sobre o costume basco de, durante quatro meses por ano, consumir tortilha, bacalhau e queijo, acompanhados da tradicional sidra, aos gritos de “txotx!’. Ao final da exibição, a plateia será convidada a experimentar rótulos de sidra basca especialmente trazidas para o evento. Ainda em parceria com a Embaixada da Espanha e Instituto Cervantes, Slow Filme exibirá o bem humorado curta-metragem Dois tomates, dois destinos.

A programação reserva também filmes como Pelos Caminhos da Turquia/The Turkish Way, do espanhol Luis Gonzalez, que, como num livro de viagem, conta as experiências dos três irmãos Roca – do célebre restaurante El Celler de Can Roca, considerado o melhor restaurante do mundo – em sua viagem pela Turquia. O filme mostra o processo de aprendizagem sobre uma das cozinhas mais desconhecidas, poderosas e antigas do mundo. Após a projeção do filme, serão servidas iguarias turcas generosamente cedidas pela Embaixada da Turquia.

O festival também dará continuidade à parceria com o projeto norte-americano O Prato Perene/The Perennial Plate, lançado no Brasil pelo Slow Filme, exibindo cinco episódios da série. O Prato Perene é um projeto dedicado à alimentação socialmente responsável e sustentável. O chef e ativista Daniel Klein e a cineasta Mirra Fine viajam pelo mundo explorando maravilhas, complexidades e histórias humanas.

Dentre as atividades paralelas ao cinema, o festival destaca o almoço especial que será preparado pela cozinheira Fatou Aboua, da Costa do Marfim, no restaurante Montserrat, de propriedade do chef Juan Pratginestós, em Pirenópolis, no domingo, 17 de setembro.

O 8º Slow Filme está sendo realizado graças à parceria com sete embaixadas, que se dispuseram a pagar custos com direitos de exibição e legendagem, assim como auxiliar na promoção de degustações. Representações diplomáticas de Espanha, França, Turquia, Argentina, Itália e Austrália, no Brasil, possibilitaram uma programação de oferece filmes em sua maioria inéditos no País.

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OFICINA – Como ação de democratização, o festival vai reforçar sua parceria com a UEG – Universidade do Estado de Goiás, que tem acolhido oficinas e programado idas dos alunos ao festival como parte do conteúdo didático dos cursos de gastronomia. A Universidade vai acolher a oficina “Comida de Imigrante e Refugiado”, a ser ministrada pelos cozinheiros Yasmin e Ammar Abou Nabout, da Síria, e Fatou Aboua, da Costa do Marfim. Aberta a estudantes e público em geral, a oficina vai ensinar receitas tradicionais dos dois países. Os participantes irão preparar o tradicional homus, sob a coordenação de Ammar, e bolinhos de fubá com iogurte natural, com orientação de Fatou. Os quitutes serão depois servidos na degustação da noite, no Cine Pireneus.

EXPOSIÇÃO A CASA DO SER – O foyer do Cine Pireneus apresentará uma seleção das fotografias da série A Casa do Ser, da fotógrafa Ana Póvoas. As imagens foram capturadas durante sete anos, entre 2007 e 2014. A fotógrafa acompanhou a rotina de Dona Nica, produtora de bananas moradora da comunidade rural de Furnas, no município de Pirenópolis. O resultado são reflexos de um Brasil profundo, que permanece invisível aos olhos da mídia. Ana Póvoas é fotógrafa graduada em Comunicação Social e atua há mais de 20 anos na área de fotojornalismo, eventos institucionais, fotografia social, still e trabalho autoral.

O FESTIVAL

O Slow Filme acontece anualmente, na cidade de Pirenópolis, situada a 110 km de Goiânia e a 140 km de Brasília. Polo turístico dos mais visitados do estado de Goiás, a cidade é conhecida pela natureza exuberante, pelas festas tradicionais populares e pela arquitetura colonial. Mas também tem se destacado por uma gastronomia diferenciada. A UEG – Universidade Estadual de Goiás percebeu a vocação da cidade e criou, ali, um curso de Gastronomia. Pirenópolis ainda concentra um Convivium do movimento Slow Food, que é como são chamados os núcleos de atuação do movimento em cada região.

Esta edição conta ainda com o apoio das pousadas Tajupá, Divina Pousada, Templários, Abacateiro e Arvoredo, da Forneria Pireneus, Woolog Agência de Viagens, Cervejaria Santa Dica e Ateliê Filigrana.

 

CONVIDADOS

REJANE ZILLES – atriz, diretora e produtora, iniciou a carreira profissional em Porto Alegre, no teatro. Na década de 1990, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde cursos Artes Cênicas na UNIRIO. Desde então, vem atuando no teatro, cinema e televisão, com destaque para novelas e minisséries da TV Globo como Cheias de CharmeSalve Jorge e Louco por Elas; e filmes como Cronicamente Inviável, de Sergio Bianchi, e Chico Xavier, de Daniel Filho. Produziu e dirigiu o curta-metragem O Livro de Walachai (exibido em diversos festivais) e estreou como diretora de longa-metragem com o documentário Walachai.

YASMIN E AMMAR NABOUT – Nascido na Síria, onde era proprietário de uma loja de roupa na capital, Damasco, o casal veio para o Brasil fugindo da guerra em seu país, refugiando-se em Brasília, com seus três filhos. Há dois anos, Yasmin e Ammar abriram o restaurante Damascus (413 sul), especializado em cozinha árabe, do qual tiram o sustento da família e alimentam a esperança de dias melhores. O restaurante é conhecido por delícias como falafel, esfirras e quibes. Yasmin e Ammar vão conversar com a plateia do SLOW FILME, participar de oficina na UEG e oferecer degustação de seu famoso homus.

FATOU ABOUA – Natural da Costa do Marfim, de uma família de 10 filhos, desde que perdeu os pais na adolescência vem tendo na comida uma fonte de renda – vendia doces e salgados no recreio da escola. Quando seu país passou a viver uma guerra étnica muito violenta, na qual ela perdeu vários parentes e amigos, mudou-se com o marido para o Brasil, buscando segurança e uma vida melhor. Mais uma vez, a cozinha lhe oferece um novo meio de sustento. Fatou conversará com a plateia do SLOW FILME, participará de oficina na UEG e oferecerá para degustação seu famoso bolinho de fubá com iogurte natural.

MARIA CONCEIÇÃO OLIVEIRA – Integrante do Projeto Comida de (I)migrante, criado em São Paulo (sob idealização de membros do Convívio Como Como do Slow Food SP) e voltado para o reconhecimento e conexão da comida com cozinheiros(as) que chegam à cidade vindos de todas as partes do mundo. Maria Conceição é bacharel em Gastronomia, atua como cozinheira e pesquisadora da cozinha negra e afro-brasileira. Ministra oficinas em quilombos como mediadora e busca recuperar receitas que atuam na reafirmação da memória de seus antepassados, recuperação da autoestima e fortalecimento do protagonismo às diásporas negras na cozinha.

PROGRAMAÇÃO

QUINTA, 14 DE SETEMBRO

Abertura oficial

19h – Walachai (85min)

Sessão seguida de conversa com a diretora Rejane Zilles. Após a exibição, brinde com a cerveja Santa Dica, produzida artesanalmente em Pirenópolis.

SEXTA, 15 DE SETEMBRO

15h30 – Dois tomates e dois destinos (10min) + A horta do meu avô (76min)

17h – Tudo sobre o assado (90min)

19h – Faça homus, não faça guerra (77min)

Sessão seguida de conversa com Maria Conceição Oliveira (representante do projeto Comida de (I)migrante, de São Paulo) e com os cozinheiros Fatou Aboua (Costa do Marfim) e Yasmin e Ammar Nabout (Síria).

Degustação de homus e bolinhos de fubá com iogurte natural, feitos especialmente durante oficina ministrada por Fatou e o casal Nabout, na UEG.

SÁBADO, 16 DE SETEMBRO

14h45 – Vovó com recheio (10min) + Quando a Itália comia em branco e preto (20min)

15h15 – Senhor Maionese (95min)

17h30 – Sagardoa Bidegile – Histórias de Sidra (65min)

Sessão seguida de degustação de sidras bascas

19h – Pelos Caminhos da Turquia (120min)

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Sessão seguida de degustação de quitutes turcos, gentilmente cedidos pela Embaixada da Turquia.

DOMINGO, 17 DE SETEMBRO

15h – Em busca de sentido – O filme (87min)

17h – Café um dedo de prosa (72min)

18h30 – O Prato Perene/The Perennial Plate – exibição dos curtas Uma história de massa, Faces da Turquia, Os fornos de Cappoquin, Santuário animal e Pequeno Rabanete (40min)

 

SINOPSES

A HORTA DO MEU AVÔ (LE POTAGER DE MON GRAND-PÈRE), França, 2016, 76min

Direção: Martin Esposito

O próprio diretor, Martin, vai à casa de seu avô, Vincent Esposito, de 85 anos, para recarregar as energias, ajudar e compartilhar momentos preciosos da vida. O avô lhe transmite seus conhecimentos, um pouco de suas raízes e os segredos de sua horta, cultivada de forma apaixonada por sua esposa, desaparecida. Integrante da geraçãofast food, Martin vai se conscientizar do valor desse patrimônio valioso. Um hino de amor à vida e à natureza.

CAFÉ, UM DEDO DE PROSA, Brasil, 2017, 72min

Direção: Mauricio Squarisi

Elenco: Vera Holtz e Wandi Doratiotto

Animação que parte do encontro de um casal de amigos numa cafeteria. Apaixonados pela bebida, eles começam um papo descontraído sobre a história do café. Acompanhando a conversa, o espectador vai descobrindo curiosidades sobre a bebida, sua importância histórica, influência na economia e na cultura brasileiras. O filme resgata questões como a escravidão, a imigração, a Semana de Arte Moderna, de forma bem-humorada. Baseado no livro ‘A História do Café’, de Ana Luiza Martins.

DOIS TOMATES E DOIS DESTINOS (DOS TOMATES Y DOS DESTINOS), Espanha, 2012, 9min

Uma produção da VSF – Veterinários sin Fronteras

Ideia original de Aníbal Gómez

Com Joaquín Reyes e Carlos Areces

Dois tomates, o transgênico K-44 e o orgânico Maurício se conheceram através de um chat da internet e marcam encontro em um bar. A princípio, K-44 parece mais atraente, mas Maurício tem uma coisa que deixará K-44 louco. No entanto, Maurício sabe muito bem o que quer e o que não quer.

EM BUSCA DE SENTIDO – O FILME (EN QUÊTE DE SENS) – França, 2014

Direção: Marc de La Ménardière e Nathanael Coste

“Em Busca de Sentido“ conta a história de Marc e Nathanaël, dois amigos de infância que fazem uma viagem para questionar-se sobre o mundo. Equipados com nada mais a não ser uma câmara pequenina e um microfone, eles tentam revelar as causas da atual crise no mundo e descobrir um caminho para gerar mudança encontrando filósofos, professores, militantes ecologistas e guardiões de culturas antigas. Uma busca que transmite confiança na nossa habilidade de gerar mudança no mundo começando por nós próprios.

FAÇA HOMUS, NÃO FAÇA GUERRA (MAKE HUMMUS NOT WAR), Austrália, 2012, 77min

Direção: Trevor Graham

Pode o amor pelo homus ser a receita para a paz no Oriente Médio? A partir desse questionamento, o diretor Trevor Graham (ele mesmo um apaixonado pelo homus) parte numa jornada por países que, apesar de viverem em guerra uns contra os outros, têm em comum a paixão pelo alimento preparado com grão-de-bico. O diretor passeia por bares e cozinhas de Beirute, Tel Aviv, Jerusalém e Nova York, encontrando colonos, ativistas políticos, fazendeiros, cozinheiros e sheiks para quem o amor pelo homus beira a obsessão. De forma bem-humorada, Trevor Graham apresenta a guerra sob uma perspectiva curiosa: quem detém a herança da receita original do homus?

VOVÓ COM RECHEIO (MY STUFFED GRANNY), França, 2014, 10min

Direção: Effie Pappa

Vencedor de melhor animação nos festivais de Edimburgo, Hampton, Montreal e Tóquio. Filme que retrata a esperança durante a crise sociopolítica e econômica na Grécia. Baseada num história da escritora Nina Kouletaki, apresenta a menina Sophia, que experimenta a crise sob a sua perspectiva inocente, oferecendo uma visão satírica das coisas. Uma alegoria à nova geração grega, que apesar dos infortúnios, precisa ser criativa para reinventar o país e construir o futuro.

SENHOR MAIONESE (MONSIEUR MAYONNAISE), Austrália, 2016, 95min

Direção: Trevor Graham

Uma aventura épica estrelada por artistas, heróis, nazistas, quadrinhos etc. Inspirado na história de família do realizador Philippe Mora, autor de mais de 40 filmes. Sua mãe, Mirka, era artista visual nascida na França de origem judia, seu pai, Georges, era judeu alemão, membro da Resistência Francesa. Junto com o mímico Marcel Marceau, os dois enfrentaram o III Reich, usando um recurso bastante criativo: eles passavam papéis da resistência e passaportes dentro de baguetes cheias de maionese garlic. Com suas luvas brancas, os soldados alemães se negavam a abrir o pão. Assim, salvaram a vida de milhares de judeus

QUANDO A ITÁLIA COMIA EM BRANCO E PRETO (QUANDO L’ITALIA MANGIAVA IN BIANCO E NERO), Itália, 2015, 20min

Direção: Andrea Gropplero di Troppenburg

Uma viagem documental e divertida sobre as receitas tradicionais e regionais da cozinha italiana, através de imagens em branco e preto, recuperada do Archivio Cinetografico do Instituto Luce Cinecittá. Um delicioso percurso por alimentos, cozinhas, depoimentos e casos divertidos de personalidade da indústria do entretenimento e da cultura.

SAGARDOA BIDEGILE – HISTÓRIAS DE SIDRA, Espanha, 2015, 65min

Direção: Bego Zubia Gallastegi

Durante quatro meses por ano, as sidrerias bascas atraem milhares de frequentadores, locais e visitantes, que esperam cumprir a tradição: degustar um menu à base de tortilha, bacalhau, chuleta e queijo e beber sidra ao grito de “txotx!”. A diretora promove uma incursão às sidrerias neste período de maior atividade, para apresentar os processos, clássicos e modernos, do consumo da bebida. Mas longe de se limitar à mera observação e descrição, o filme empreende uma viagem que explora como a gastronomia pode exceder o campo da alimentar e passar a se relacionar intrinsicamente com o povo, moldando até mesmo sua própria identidade.

TUDO SOBRE O ASSADO (TODO SOBRE EL ASADO), Argentina, 2016, 90min

Direção: Gastón Duprat e Mariano Cohn

Filme dos mesmos diretores de O cidadão ilustre (premiado recentemente no Prêmio Platino como melhor filme, melhor ator e melhor roteiro), o filme não se coloca nem como ficção nem como documentário. Uma viagem à Argentina profunda, para recolher os mitos e rituais, antigos e contemporâneos, que cercam a preparação e degustação do assado. Longe do politicamente correto e com muita ironia, os dois voltam a câmera para encarar a comida argentina por excelência.

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PELOS CAMINHOS DA TURQUIA (THE TURKISH WAY)Espanha, 2016, 120min

Direção: Luis González

Um exuberante documentário que acompanha a viagem dos irmãos Roca – Joan, Josep e Jordi, proprietários do Celler de Can Roca, da Catalunha, considerado o Melhor Restaurante do mundo – numa turnê de cinco semanas pela Turquia. Com o objetivo de honrar as influências que compõem a culinária turca e revigorar o próprio cardápio de Can Roca, os três irmãos buscam novas ideias em lugares tão diversos como as ruas e os mercados de Istambul e os vinhedos da Capadócia, engajados e aprendendo abertamente com Sommeliers, chefs e agricultores que dirigem uma das culturas gastronômicas mais tradicionais e em constante evolução do mundo. Das influências árabe, asiática e europeia ao emocionante desenvolvimento recente da nova cozinha da Anatólia, os irmãos abraçam uma antiga nação em constante revolução alimentar. Sua incansável criatividade, por sua vez, faz do próprio Can Roca não apenas um dos melhores restaurantes do mundo, mas um restaurante verdadeiramente mundial.

WALACHAI, Brasil, 2013, 84min

Direção: Rejane Zilles

Walachai é nome de um povoado do município de Morro Reuter, no Rio Grande do sul, formado por descendentes de imigrantes alemães. A palavra significa lugar longínquo, perdido no tempo. A maioria dos moradores aprende o dialeto germânico hunsriqueano rio-grandense. O documentário registra a vida na comunidade, mostrando que os moradores, apesar de falarem o dialeto alemão, se identificam como brasileiros e não demonstram ter qualquer relação com a Alemanha.

O PRATO PERENE/THE PERENNIAL PLATE

UMA HISTÓRIA DE MASSA (A PASTA STORY), 2013

A Itália é conhecida por suas massas, mas, apesar do seu rico patrimônio, a maior parte da farinha do país é homogênea e branqueada. Felizmente, nas colinas da Toscana, Franco Pedrini e seus filhos produzem grãos de origem antiga, através da agricultura biodinâmica para criar uma massa que é deliciosa e nutrida.

FACES DA TURQUIA (FACES OF TURKEY), 2013

Um passeio por regiões e contato com alguns dos produtores de alimentos que compõem esse maravilhoso país.

OS FORNOS DE CAPPOQUIN (THE OVENS OF CAPPOQUIN), 2017

Esta é história de uma pequena empresa em uma pequena cidade na Irlanda. É também um conto visto em todo o mundo: a luta para sobreviver e manter qualidade e integridade neste planeta em mudança. Nesse caso, por sua longevidade, compromisso com a tradição e amor ao bom pão, Barron’s Bakery é um farol de inspiração em uma pequena rua lateral na vila de Cappoquin, County Waterford.

SANTUÁRIO ANIMAL (ANIMAL SANCTUARY), 2012

Um episódio sobre NÃO comer carne. Em várias “fazendas” nos Estados Unidos, algumas pessoas estão criando verdadeiros santuários para que os animais vivam suas vidas sem medo de serem comidos. Na Star Gazing Farm, em Maryland, está um exemplo brilhante.

PEQUENO RABANETE (LITTLE RADISH), 2012

Em visita à Geórgia, nos Estados Unidos, a equipe chega a um jardim escolar, onde assistem a uma aula sobre rabanetes com Ashley Rouse, da Georgia Organics. Um vídeo curto, mas doce.

ATIVIDADES PARALELAS

OFICINA “COMIDA DE IMIGRANTE E REFUGIADO”       

A ser realizada na UEG – Universidade Estadual de Goiás, será ministrada pelos cozinheiros Ammar Abou Nabout, da Síria, e Fatou Aboua, da Costa do Marfim. Será aberta tanto a estudantes do curso de gastronomia da UEG quanto para o público em geral. Os participantes irão aprender receitas tradicionais dos dois países e preparar o tradicional homus, sob a coordenação de Ammar, e bolinhos de fubá com iogurte natural, com orientação de Fatou, que serão servidos na degustação da noite de sexta-feira, no entroncamento do Cine Pireneus.

Data: 15 de setembro

Local: cozinha do Curso de Gastronomia da UEG

Horário: 10h00

Inscrições (gratuitas)[email protected]

Número limitado de participantes

VISITA À CERVEJARIA SANTA DICA

Funcionando desde 2016, na charmosa rua Aurora (nº 31), uma das mais belas de Pirenópolis, produz a cerveja artesanal Santa Dica. O processo é comandado pelos mestres cervejeiros Roberto Drehmer e Ernesto Matias e produz 4.500 litros por mês de cerveja que não passa pelo processo de pasteurização.

Os visitantes poderão conhecer e degustar os três rótulos diferentes produzidos pela Cervejaria:

. Hibisco – de cevada e trigo, tem espuma cremosa, intensa, firme, com suave amargor e aroma de cravo, banana e hibisco. Tem coloração rosada e naturalmente turva por não ser filtrada;

. Kölsch – de coloração amarelo-ouro, com espuma densa e firme e aroma frutado sutil;

. IPA – de puro malte do estilo American Pale Ale, com coloração castanho escuro e alto teor de amargor; espuma firme e caramelizada.

Data: 16 de setembro de 2017

Local: Cervejaria Santa Dica (Rua Aurora, nº 31)

Horário: 10h30 e 11h30

Preço visita + degustação: R$ 15,00

Inscrições: [email protected]

Número limitado de 20 participantes

ALMOÇO NO RESTAURANTE MONTSERRAT

Especialmente preparado para o Slow Filme, pela cozinheira Fatou Aboua, da Costa do Marfim, será realizado em parceria com o Restaurante Montserrat, do chef Juan Pratginestós. O cardápio inclui molho de amendoim com arroz ou fufu de banana, cuscuz de milho com almôndegas de peixe ao molho e aloco (banana da terra frita) com peixe.

Data: 17 de setembro

Horário: a partir das 12h45

Preço por pessoa: a definir

Reservas através do e-mail [email protected]

SERVIÇO SLOW FILME

Local: Cine Pireneus – Rua Direita, Pirenópolis, Goiás
Data: 14 a 17 de setembro de 2017
ENTRADA FRANCA

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Taynara Borges

Taynara Borges é jornalista e produtora cultural.
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