Histórias Cruzadas

Publicado em 20.02.2017


Assisti pela quinta vez o filme “Histórias Cruzadas (The Help)”. Para quem cometeu o sacrilégio de não vê-lo, vou resumir aqui: Estados Unidos, início dos anos 1960, a luta pela igualdade de direitos entre negros e brancos começando a fervilhar. Martin Luther King Jr começava a pregar a luta pela não violência, embora fosse violentamente rechaçado. Parece um filme tenso né? Mas é um filme extremamente leve.

O filme conta a visão das empregadas domésticas negras no estado do Mississippi e o protagonismo está todo do lado feminino. Os homens, quando aparecem, são coadjuvantes absolutos, sendo que não tem importância nenhuma na história. A discriminação e a luta de classes funcionam com pano de fundo de uma história comovente. Vale a pena – e muito – assistir.

Pego-me pensando em como a sociedade ocidental mudou nesses quase 60 anos. Em muitos casos para melhor e em outros para pior. Não podemos afirmar que tudo piorou como querem os mais apocalípticos, mas também não podemos afirmar que tudo melhorou como querem os mais otimistas.

Por um lado somos uma sociedade mais igual, pelo menos no que tange a igualdade de direitos. Todos somos iguais perante a lei. Não existe mais o crime de honra, no qual dava o direito do homem tirar a vida de sua esposa, caso ele fosse suspeita de adultério, embora fosse uma interpretação larga no que se refere ao código penal de 1940. Pelo contrário, a agressão ao cônjuge é tratada duramente na lei Maria da Penha.

Pode se discutir que ainda falta muito – e falta! Pode se discutir que existem mais oportunidades para os homens – e existem! Pode se discutir que ainda temos um largo caminho para ser percorrido – e temos! Mas não se pode discutir que não caminhamos. Podemos até estar longe de onde queremos chegar, mas com certeza não estamos onde estávamos a 60 anos atrás.

Por outro lado, pioramos! Como fora demonstrado pelo Espírito Santo nas últimas semanas, se ficamos sem chicote (sim, a PM é o chicote do Estado), a senhora, mãe de família, se sente no direito de entrar na loja e pegar a televisão. Isso é a falência de valores. Impensado anteriormente e demonstrado nacionalmente.

Pioramos. E muito. Estamos mais sem respeito do que jamais estivemos. E sem respeito ao próximo. Desrespeito à vida. Sem amor. Sem noção de certo e errado. O feminismo muitas vezes é duramente criticado, mas enquanto tivermos mulheres bradando palavras de ordem de dia e à noite gritando ensandecidamente ao som de “levar a gata pro fundo da Fiorino” estamos perdidos. Enquanto músicas no estilo de “Deu onda” estiver fazendo sucesso na boca de mulheres a mensagem fica truncada.

Mas aí, querido leitor, você pode estar pensando o seguinte: “se o homem tem direito de tratar a mulher como um objeto, a mulher também tem esse direito”. E eu sinto em discordar de você. NENHUM dos dois tem esse direito. E isso tem que ficar bem claro pra quem quer mudança.

Vamos pegar um exemplo pra demonstrar que extremos não se combate com extremos. Nos EUA durante o período o qual foi supracitado, existiu uma sociedade chamada Triple K, ou KKK, ou Klu Klux Klan. Era o extremismo materializado. Matavam e torturavam negros pelo fato de terem mais melanina. Surgiu então o outro lado, o Black Panthers ou Panteras Negras em bom português. Eles se digladiavam e nada avançava. Aparece então um reverendo chamado Martin Luther King Jr. E reage a violência com a não violência. E a sociedade avança.

Reagir ao “pegar a novinha” com o “pegar o novinho” não vai acabar com a discriminação e desrespeito. Pelo contrário, só vai fomentá-lo. Todos queremos uma sociedade com equidade de condições. E observem que falei equidade e não igualdade. Mas esse assunto será discutido em outra ocasião.

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Márcio Brom

Márcio Brom

Márcio Brom é professor de química, master coach e cursou Enviromental Chemistry na Columbia University
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