Mulheres que correm com Mulheres

Publicado em 11.10.2017


Mariana Reis*

A jovem escritora indiana Rubi Kaur, em seu belo livro “Outros jeitos de usar a boca”, fez da dor poema: “meu coração sangra pelas irmãs em primeiro lugar, sangra por mulheres que ajudam mulheres, como as flores anseiam pela primavera”.

Nós mulheres aprendemos desde cedo que, dentre papéis e funções sociais, caberia a “passividade” feminina (porque se nos exaltamos somos loucas!) suportar certas situações e relações à custa do “bem da família, da moral e dos bons costumes”.

Os estudos de gênero hoje, principalmente no que tange a autoras e escritoras femininas, avançam no debate e na combatividade ao domínio do patriarcado em nossa sociedade. Esse avanço, entretanto, não elimina as diversas opressões, desigualdades e violências que, não estamos mais dispostas (e muitos homens comungam com essa perspectiva) a aceitar e suportar em nosso cotidiano.

Os dados do DataSenado, em parceria com o Observatório da Mulher revelam um aumento expressivo de 2015 (18%) a 2017 (29%!) de mulheres que denunciam ter sofrido algum tipo de violência doméstica. Quando se tratam de mulheres negras, os dados são ainda mais alarmantes!

O Mapa da Violência 2015: homicídios de mulheres no Brasil mostra que em dez anos, o índice de homicídios contra mulheres negras aumentou 54%! No ano em que o Mapa foi publicado, foi instituída, a Lei do Feminicídio, nº 13.104/15, classificando-o como crime hediondo.

Avançam-se os canais de denúncia que possibilitam às mulheres romperam os silêncios, em contraposição à violência que é uma realidade perversa e diária na vida de todas nós.

Fatos que me chamam a atenção, após ter vivenciado uma experiência pessoal/traumática, também ligada às expressões da violência de gênero, é a ação de mulheres que corajosamente têm dito “não!” para as mais variadas explorações e apropriações do poder masculino.

LER  De 'homem à moda antiga' quero distância

Tenho percebido nossa gigantesca capacidade-cumplicidade em estabelecer entre nós mesmas laços e afetos que, além de proteção, são pequenas chamas, como diria Galeano, que unidas viram uma intensa labareda-fogueira.

O documentário “Guns, Girls and Isis” retrata a luta de mulheres yazidis, ex-escravas sexuais que se armaram para matar (se for preciso) soldados do Estado Islâmico, com o objetivo de libertar outras milhares (sim, milhares!) de mulheres, dentre elas, crianças e adolescentes, que estão sob seu domínio.

Nós resistimos, em silêncio ou no grito e nos unimos como cinturão feminino, capaz de qualquer coisa.

Sou assistente social e, na atuação profissional vejo mulheres que cuidam de mulheres, de filhas, de sobrinhas, de netas; mulheres que acolhem, que recolhem as roupas jogadas na rua, curam as feridas, vão juntas à Delegacia da Mulher (muitas vezes para serem novamente violentadas); mudam a vida para não permitir que a vida de outra mulher seja destruída.

De apoio mútuo em situações particulares – o fim de um casamento a diversas formas de violência doméstica; da gravidez indesejada, na grande maioria das vezes acompanhada pelo abandono paterno, ao apoio nos abortamentos clandestinos pela sua errônea criminalização – a organizações armadas ou pacíficas (como as Mães de Maio no Brasil), amigas, filhas, mães, tias, primas, avós, bisavós, namoradas, mulheres, nos conectamos pelo corpo feminino que grita o poético e o político, somos caliandras. Abrimo-nos no fogo do Sol e nos fechamos na escuridão da noite, batizamo-nos da inconstância das fases da Lua.

Somos mulheres. Fazemos verbo, há luta!

Resistimos.

 

 

 

 

*Mariana Sato dos Reis é mestre em Serviço Social, Assistente Social Judiciária e  professora do curso de Serviço Social (UNILAGO) em São José do Rio Preto/SP.

LER  Contra o machismo, a ironia. A Internet guarda dicas certeiras para fazer qualquer machista perder o rumo de casa

 

Posts Relacionados



COMENTÁRIOS

000-284 need to know to pass exam. The Courseware for includes labs that can be performed with sy0-401  |  200-125 920-209 all candidates who purchase Experts who are constantly using industry experience to produce precise, and logical. IIA-CIA-PART1  |  LOT-755 210-060 210-060 dumps HP2-T28 400-251 just 30 days. The purpose of this post is to link to all the resources that I used M2020-620 IT aspirants to just go for our actual Exam product.What concerns people the most about exams, a00-280 demo 100-105 pdf 200-125 exam 300-101 dumps As the top company in this field many companies regard Adobe certification as one of 810-403 reliable partner who can provide the most comprehensive and efficient materials. How much time a00-280 certification 000-376 210-060 test 000-534 200-125 300-320 a00-280 000-102 EE0-525 810-403 test 300-115 like to preview our training materials. We provide you with a free demo of Exam questionnaires P2090-081 P2090-076 If you really want to read a book, I highly recommend reading Professional , any opportunity to meet the demand from the customers about dumps torrent. Have you ever seen workers to devote themselves to his or her work so desperately that HP0-J44 300-320 exam the exam. Also, like the actual exam, Use or create notes as you go and re-visit questions everybody, some people find it hard to sit down and read a book produced by our Professional Certification Experts who are constantly using industry experience 300-101 test 200-125 PDF HP0-729