SANGUE FEMININO NO CINEMA BRASILEIRO DE HORROR

Publicado em 09.12.2016


A TRASH – Mostra Internacional de Cinema Fantástico está a mil. Começou na última quarta-feira e vai até domingo, dia 11 de dezembro, no Cine Cultura. São dezenas de filmes de terror, ficção científica e fantasia, vindos dos mais inusitados cantos do planeta. Entrada franca.

A programação completa está aqui: www.mostratrash.com E, se eu fosse você, não perderia esse festival tão divertido, maluco e legal. Além dos filmes, há também oficinas, lançamentos de livros e quadrinhos, bate-papos.

Mas o sábado reserva algo realmente especial, a mesa redonda “Mulheres que tocam o terror!”. Às 16 horas, um time de primeiríssima linha debate a posição feminina no cinema de gênero. Sente só o calibre das convidadas: Laura Cánepa (Doutora em Multimeios pelo IAR-Unicamp), Alice Fátima Martins (Doutora em Sociologia pela UnB), Simone Zuccolotto (diretora da série Nas Sombras do Medo – O Cinema de Terror no Brasil), Mayra Alarcón (produtora da Fábulas Negras produções) e Mônica Demes (diretora do filme Lilith’s Awakening).

Em um mundo que parece ter tomado uma via errada rumo à direita mais abjeta, discutir a presença das mulheres no audiovisual me parece indispensável. Aguardo vocês para essa conversa. Mas antes, deixo aqui o excelente texto de Beatriz Saldanha – uma das curadoras dessa edição da TRASH – sobre o tema. Sente o drama.

Sangue feminino no cinema brasileiro de horror
A força criativa da mulher na nova geração do medo nas telas
Por Beatriz Saldanha

As mulheres representam uma parte significativa do público ávido por filmes de horror e sempre marcaram presença diante das câmeras neste gênero, tendo seu papel reconfigurado inúmeras vezes com o passar do tempo, acompanhando as transformações sociais e comportamentais. No entanto, a presença feminina atrás das câmeras é menos frequente, não somente no âmbito dos filmes de horror, mas do cinema como um todo. Esse cenário começou a mudar quando cineastas como Mary Lambert, com O Cemitério Maldito (1989), e Antonia Bird, com Mortos de Fome (1999), mostraram que mulher também tem capacidade – e estômago – para filmes de terror. Mais recentemente, na França, outros nomes se juntaram a essa galeria, em especial Claire Denis (Desejo e Obsessão, de 2001) e Marina de Van (Em Minha Pele, de 2002), representantes de um cinema corpóreo e sangrento – e condizente com a natureza feminina; afinal, enquanto os homens sangram apenas quando feridos, o sangue faz parte do cotidiano de qualquer mulher em idade reprodutiva.

No Brasil, o pioneirismo feminino à frente de filmes de terror coube a Rosângela Maldonado, atriz veterana que se aliou a José Mojica Marins, o Zé do Caixão, em 1978, e realizou A Mulher Que Põe a Pomba no Ar e A Deusa de Mármore: Escrava do Diabo, longas-metragens nos quais ela se encarregou de quase tudo: produção, direção, roteiro e atuação.

Mas nada disso se compara à presença notável de mulheres diretoras em meio à profusão de novos realizadores brasileiros voltados ao horror, apontando caminhos próprios para o cinema nacional de gênero. Talentos como Juliana Rojas e a temática do horror social em Trabalhar Cansa; Anita Rocha da Silveira e sua percepção macabra da adolescência em Mate-me Por Favor, ou Clarissa Appelt e o horror existencial em A Casa de Cecília; ou em filmes de caráter apenas assustador, como Amanda Maya, em Jogo do Copo, e Larissa Anzoategui, no ainda inédito Astaroth, e principalmente Gabriela Amaral Almeida, que tem o seu longa de estreia na direção O Animal Cordial pronto para chegar às telas. Somam-se a elas as talentosas Luiza Lubiana, Cíntia Domit Bittar, Marja Calafange, Geisla Fernandes e outras autoras de curtas de horror de grande repercussão.

Merece um recorte à parte três longas-metragens recentes realizados por diretoras brasileiras estreantes e falados em inglês, de olho no mercado internacional. Dark Amazon, filmado na floresta amazônica, é um terror no estilo “filmagem encontrada”, com direção da amazonense Darcyana Moreno Izel. O filme foi lançado recentemente em VOD e deve chegar ao Brasil em 2017. Também inédito por aqui, Don’t Look foi escrito, produzido, dirigido e estrelado por Luciana Faulhaber, rodado numa fazenda na Pensilvânia, nos EUA, e tem seu lançamento previsto para o ano que vem. E, por fim, o terceiro filme é o que selecionamos para a Trash – Mostra Internacional de Cinema Fantástico para representar este momento inédito do cinema nacional: trata-se de Lilith’s Awakening, dirigido pela jovem cineasta carioca Monica Demes nos Estados Unidos.

O filme conta a história de Lucy (Sophia Woodward), uma moça cuja convivência diária limita-se ao marido e ao pai repressores e um colega de trabalho que a assedia de forma agressiva. Ela é assombrada pela presença de uma mulher misteriosa e inicia um processo de transformação e descoberta do próprio corpo, apesar do esforço das figuras masculinas ao seu redor para dominá-lo. Num contraponto perfeito com a personagem Lucy, frágil e cabisbaixa, a cantora e atriz Bárbara Eugenia interpreta Lilith, a mulher misteriosa, com seu rosto de traços fortes e hipnóticos que remetem a atrizes expressionistas como Theda Bara e Pola Negri. Abrilhantado pela fotografia em preto e branco e uma atmosfera melancólica que capta o tédio de uma típica cidade de interior, Lilith’s Awakening mescla mistério, loucura e sobrenatural para narrar uma história de descoberta e aceitação do desejo sexual, evocando a liberação feminina e o retorno ao âmbito selvagem. De certo modo, o filme de Monica celebra o horror feminino e surge como um chamamento para este tipo de cinema, algo tão intrínseco à natureza da mulher.

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Márcio Júnior

Produtor cultural, Mestre em Comunicação pela UnB e doutorando em Arte e Cultura Visual pela UFG - textos novos todas as sextas
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